Eleições do Peru ocorrem após campanha tumultuada

Peruanos votam em novo presidente após corrida marcada por denúncias de compra de votos, mortes e uma favorita cujo pai é um ex-ditador, atualmente preso por ordenar massacres.

Os peruanos foram às urnas neste domingo (10/04) em uma eleição tumultuada, marcada por denúncias de compra de votos, mortes, e uma candidata favorita na corrida presidencial cujo pai é um ex-ditador, atualmente preso por ordenar massacres.

Cerca de 23 milhões de eleitores foram convocados para votar neste país de 30 milhões de habitantes, onde o voto é obrigatório.

Rígidas novas leis eleitorais fizeram que quase metade dos candidatos desistisse ao longo da campanha eleitoral, deixando a populista de direita Keiko Fujimori como a favorita, em meio a acusações de que ela distribui presentes a seus eleitores em troca de votos. "Eu tenho a firme convicção de que, com a ajuda de Deus, vou me tornar a primeira mulher presidente do Peru", afirmou ela, diante de milhares de simpatizantes em um comício antes da votação.

Keiko, de 40 anos, é filha de Alberto Fujimori, cujos 10 anos na presidência, entre 1990 e 2000, ainda estão frescos na memória de muitos peruanos. Ele está cumprindo uma pena de prisão por crimes contra a humanidade, depois de tribunais o considerarem culpado pelo assassinato de 25 pessoas que ele afirmava serem terroristas em 1991 e 1992. Além disso, ele também foi condenado por desvio de fundos do Estado.

Rebeldes maoístas e ataque

Alguns peruanos, no entanto, têm uma opinião menos negativa do velho Fujimori (e, portanto, de sua filha) pelo seu papel em reprimir o grupo guerrilheiro maoísta Sendero Luminoso.

O conflito de longa data foi reavivado no sábado, quando três soldados e um civil foram mortos em um ataque executado supostamente por membros remanescentes do Sendero Luminoso, que ainda estão escondidos na selva.

Em comunicado, a missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) enviou condolências aos familiares das vítimas e rejeitou "veementemente qualquer tipo de violência que vise afetar o desenrolar pacífico das eleições".

Três pesquisas de opinião separadas publicadas na sexta-feira deram a Fujimori um terço dos votos, claramente à frente de seus rivais mais próximos Pedro Pablo Kuczynski, um ex-primeiro-ministro e banqueiro de Wall Street, e Veronika Mendoza, uma parlamentar de esquerda.

Embora Fujimori esteja lidere as intenções de voto, o ganhador precisa da maioria absoluta para se eleger presidente e, por isso, provavelmente será necessário um segundo turno, a ser realizado em junho.

MD/afp/ dpa

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