Serviços de streaming limitam o gosto musical?

Philipp Kretschmer (ca)

Dez anos após sua criação, aplicativo sueco Spotify se estabelece como líder de mercado, cada vez mais popular. Mas será que os algoritmos de recomendação usados estão reduzindo o fator surpresa da seleção musical?

Atualmente, milhões de pessoas em todo o mundo escutam música através de serviços de streaming online. Dez anos após a sua criação, o Spotify, aplicativo sueco líder de mercado, já possui mais de 75 milhões de usuários - do quais 30 milhões são assinantes.

Outros serviços, como Apple Music, Napster ou Deezer, também conseguiram convencer milhões de pessoas a pagarem mensalmente pelo acesso online a uma imensa biblioteca musical: os maiores aplicativos disponibilizam mais de 30 milhões de canções. Mas como se orientar dentro de uma oferta tão grande?

"Vasculhar pilhas de discos em lojas é algo do passado, essa prática cultural está morta", afirma Stephan Baumann, do instituto alemão DFKI, especializado em inteligência artificial. Com doutorado em Informática, Baumann também é DJ e diz lembrar-se de muitos bons momentos nas lojas de disco de sua confiança. Mas não chora por elas. "O acesso à música mudou."

A questão de como os usuários podem se orientar em meio à imensa massa musical é respondida pelos serviços de streaming com sofisticados algoritmos de recomendação. Eles analisam o gosto musical do usuário com base em sua seleção anterior e apresentam automaticamente novas composições que combinem com sua preferência.

Graças à capacidade computacional disponível atualmente, tais algoritmos podem manter o mundo inteiro em vista: "Os algoritmos também podem encontrar pérolas, cujo upload e linkagem foram feitos em algum lugar do mundo e que provavelmente teríamos ignorado como indivíduos."

O mix certo: uma questão de "feeling"

Stephan Baumann pesquisa há mais de 15 anos sistemas de recomendação, uma disciplina da inteligência artificial. Quase ninguém conhece tão bem as vantagens dos sistemas de algoritmos. Mas ele também afirma estar ciente dos pontos fracos: mostrar sentimentos. Já que, para muitas pessoas, especialmente a música é carregada de emoções: algumas canções fazem lembrar certas recordações e acontecimentos.

"Enquanto essa história de vida não estiver no computador, o algoritmo está, a princípio, privado de emoções", afirma.

Não é fácil encontra o mix certo. Isso também se vê em outro problema típico dos sistemas de algoritmos: o chamado "filtro-bolha". O fato de os usuários receberem apenas recomendações que lhe agradem faz com que ele não perceba opiniões diferentes. Com o tempo, paira sobre os serviços de streaming o perigo de que a seleção musical fique cada vez mais unidirecional e sem surpresas.

Stephan Baumann faz um balanço sóbrio: "Todos nós nos movimentamos confortavelmente no filtro-bolha. Se eu sou um usuário ativo do Facebook, aceito que na minha timeline apareçam determinadas coisas que são postadas, na verdade, pelos meus amigos."

Isso também vale para a música, diz Baumann. Segundo ele, para compensar essa limitação, o usuário não precisa lutar sozinho através da enxurrada de boas canções. Assim, apesar de suas fraquezas, os algoritmos são de grande ajuda.

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