Panamá realiza buscas na Mossack Fonseca

  • Carlos Jasso/Reuters

    Policial monta guarda na entrada do escritório da Mossack Fonseca na Cidade do Panamá

    Policial monta guarda na entrada do escritório da Mossack Fonseca na Cidade do Panamá

As autoridades panamenhas realizaram buscas no escritório de advocacia Mossack Fonseca, no âmbito da investigação aberta em consequência da divulgação dos "Panama Papers" --escândalo mundial sobre o uso de empresas offshore para esconder dinheiro.

Com uma unidade de combate ao crime organizado, a polícia local efetuou a operação na sede da Mossack Fonseca "sem qualquer incidente ou interferência", afirmou a promotoria panamenha em comunicado, acrescentando que operações semelhantes foram realizadas em filiais da empresa na terça-feira (12).

De acordo com as autoridades, as buscas visam "obter documentação relacionada com as informações publicadas nos artigos noticiosos que estabelecem a eventual utilização da empresa [Mossack Fonseca] em atividades ilícitas". A operação de terça-feira foi a primeira executada pela promotoria local no âmbito da investigação relacionada aos "Panama Papers".

O enorme vazamento de informações, que dominou manchetes em 3 de abril, revelou a forma como os mais ricos e poderosos do mundo têm usado empresas offshore para esconder seus ativos. Por meio do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), 11,5 milhões de documentos da empresa panamenha Mossack Fonseca foram compartilhados com mais de cem grupos midiáticos.

O vazamento expôs antigos e atuais chefes de Estado e de governo, como o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, amigos próximos do presidente russo, Vladimir Putin, o ex-primeiro-ministro da Islândia Sigmundur David Gunnlaugsson, a estrela de cinema e das artes marciais Jackie Chan, as famílias de alguns membros da cúpula comunista da China e o jogador de futebol argentino Lionel Messi.

Os documentos retratam atividades de mais de quatro décadas e contêm informações sobre a abertura de mais de 214 mil empresas-fantasmas em mais de 200 países e territórios.

Empresa rejeita acusações

O cofundador da empresa de advocacia, Ramón Fonseca Mora, reiterou após e escândalo do vazamento dos dados que sua empresa opera um modelo de negócio legal e internacionalmente aceito. Ele garantiu também que a empresa não destruiu documentos.

Até agora, a Mossack Fonseca tem se posicionado como vítima. Antes mesmo da divulgação do vazamento de dados na imprensa, a empresa panamenha chegou a apresentar uma queixa criminal apontando para uma violação em seu sistema de segurança, afirmando ter sido vítima de um ataque de hackers.

O jornal panamenho "La Prensa", citando investigadores, afirmou que a Mossack Fonseca estaria dificultando as investigações. A empresa negou. Nos últimos dias, vários escritórios da Mossack Fonseca já haviam sido alvos de operações de apreensão e busca no exterior.

 

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