Unidos contra Donald Trump

Ines Pohl, de Nova York (lpf)

Em meio à campanha eleitoral nos EUA, milhares saem às ruas de Nova York para protestar contra a política de exclusão proposta pelo pré-candidato republicano. Imigrantes, muçulmanos e outras minorias juntam forças.

"Saia daqui e volte para o lugar de onde você veio. Aqui não tem lugar para você." Natalia Aristizabal conhece bem frases como essa. Há 13 anos ela fugiu da Colômbia e, desde então, vive nos Estados Unidos. Ela luta pelo reconhecimento legal de imigrantes que, como ela, estão em situação ilegal.

"O racismo sempre existiu", diz Natalia, de 33 anos, que vive em Nova York. "Mas Donald Trump deu voz a essas pessoas. Ele permite a elas dizer tudo aquilo que sempre pensaram." Isso faz a colombiana, assim como centenas de milhares de americanos e americanas, sentir medo - e também raiva.

E é exatamente essa raiva que vai aos poucos ganhando força nesta aparentemente interminável campanha eleitoral. As pessoas ameaçadas direta ou indiretamente por Trump estão se unindo. Muçulmanos - os quais o político ameaçou banir dos EUA; imigrantes sem documentos, que ele quer expulsar do país; negros e judeus, que são alvo de discriminação há séculos: todos eles saem juntos às ruas.

O maior protesto até agora foi convocado para esta quinta-feira em Nova York. Enquanto o partido Republicano realizava um jantar para angariar fundos com seus principais candidatos no Grand Hyatt, em Manhattan, na rua 42 logo ficou claro que o movimento de protesto não será abafado tão facilmente.

Muitas mulheres jovens, com cabelos coloridos ou lenços na cabeça, e homens com rastafári, carecas ou com quipá declaram guerra a Trump e seus seguidores. "Eu simplesmente não consigo mais ouvir essa retórica do ódio", diz Michael Pereira. O jovem carrega um cartaz pendurado no pescoço, no qual se posiciona claramente contra o racismo e a misoginia.

"Haverá tumultos"

E mesmo que nesta quinta-feira as coisas tenham corrido de maneira relativamente tranquila nas ruas de Nova York, ele se diz convencido de que, se Trump realmente for nomeado candidato republicano, haverá tumulto.

E o quão grande será a resistência? "Enorme", diz Michael. "É só olhar para cá: não nos conhecíamos e nos unimos, vindos de diferentes meios e grupos. Através das redes sociais podemos nos organizar facilmente. Ninguém nos segura."

E, de fato, uma bela mescla de ativistas políticos se uniu. Um grupo acaba de participar de um protesto pelo aumento do salário mínimo. Outro teve um evento pela manhã para lutar pela reforma da lei de imigração.

Outros, por sua vez, parecem rejeitar tudo que tem alguma ligação com o Estado. Alguns usam as máscaras anonymous do movimento Occuppy Wallstreet. Também se envolveram muitos veteranos de guerra, que não querem ser recrutados pelos republicanos.

"Não temos medo dos muçulmanos. Temos medo de uma nova guerra", diz Chris Hagen, que, ao todo, combateu dez anos no Iraque e no Afeganistão.

No protesto também há pessoas que não são contra Trump, mas contra Hillary Clinton. Um deles é Joe Biggs, que veste uma camiseta onde se lê: "Hillary for prison 2016" ("Hillary para prisão 2016"). "Estou de saco cheio de tantas mentiras. Sempre votei nos democratas. Mas agora eu não voto mais em ninguém." Uma atitude hoje em dia bastante comum no país.

Trump melhora os negócios

E os Estados Unidos não seriam os Estados Unidos se cada movimento de protesto não fosse transformado em negócio. Enquanto adesivos e cartazes anti-Trump podem ser adquiridos em troca de uma doação voluntária, os simpatizantes de Trump precisam abrir a mão para comprar um souvenir. Uma camiseta com a imagem de Trump custa 25 dólares, e três broches saem dez dólares. "Espero que ainda haja muitos protestos", diz Jeremy Ryan, de Michigan.

Na verdade, o jovem de 22 anos afirma ser de independente a democrata. Mas ele não quer votar na Hillary de jeito nenhum. E se Trump não for nomeado, ele vai escolher outro republicano.

"Daí vou vender camisetas do Ted Cruz", diz. Mas ele espera que Trump seja o candidato à presidência. "Acho que ele é melhor para os negócios. Mais pessoas ficam incomodadas com ele, e, então, os que gostam dele compram ainda mais camisetas."

Ao que tudo indica, a próxima terça-feira será um bom dia para Jeremy, quando os candidatos à Casa Branca serão votados em Nova York. E Trump é o claro favorito entre os republicanos.

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