Carisma pode definir prévias em Nova York

Ines Pohl, de Nova York (ca)

A escolha dos candidatos às eleições presidenciais americanas está diante de uma etapa importante: as primárias em Nova York. Um pleito que envolve não só habilidades políticas, mas também psicológicas.

Nesta terça-feira (19/04), é a vez dos nova-iorquinos votarem para escolher os candidatos dos partidos Democrata e Republicano para a corrida à Casa Branca.

"Temos a possibilidade de escolher entre um palhaço e uma mentirosa", dispara Aaron Goldenstein, limpando o suor da testa. "Não tenho a mínima ideia como a situação chegou até aqui." Faz calor no Brooklyn, o Sol queima sobre o chapéu preto de Goldenstein, a proteção tradicional de cabeça dos judeus ortodoxos.

Para o pai de quatro filhos e 42 anos de idade, Donald Trump é um palhaço e Hillary Clinton, uma mentirosa. Entre os eleitores americanos, trata-se de uma difundida categorização dos dois candidatos mais proeminentes de democratas e republicanos.

Goldenstein diz que as pessoas em seu bairro na verdade são bastante conservadoras em questões econômicas e também em relação à política externa. "O acordo com o Irã é um grande erro. Precisamos de uma liderança que defenda claramente os interesses dos judeus."

Crítica ao candidato Cruz

Sem dúvida: os judeus têm um papel importante em Nova York. Por isso, em talk shows tem se debatido bastante se Ted Cruz foi abertamente antissemita com sua crítica aos chamados "valores nova-iorquinos", ao dizer que os moradores da maior cidade americana estariam "focados no dinheiro e na mídia."

Uma observação: Cruz de qualquer forma não tem nenhuma chance contra o multimilionário nova-iorquino Donald Trump e tenta, com frases como essa, garantir votos para os próximos "caucuses" em outros estados americanos.

De acordo com as pesquisas de opinião, do lado republicano, Trump é o claro favorito no estado de Nova York. "Ele deverá ganhar os votos de quase todos os 95 delegados", prevê Larry J. Sabato, professor na Universidade de Virginia.

E isso é para Trump fundamental: "Se ele não ganhar em Nova York com uma grande vantagem, não vai ter mais possibilidade de conseguir os 1.237 votos necessários para chegar como favorito à convenção do partido, que escolherá, no final, o candidato [republicano]", disse o cientista político.

Pesadelo para muitos republicanos

Se a margem de vitória de Trump for pequena ou se ele chegar a perder em Nova York, o pesadelo de muitos republicanos fica cada vez mais próximo da realidade: que no final dessa campanha eleitoral, com seu bizarro espetáculo político, nenhum não haja nenhum candidato claro à Casa Branca. Dessa forma a convenção republicana teria que decidir no meio do ano se manda para a corrida presidencial alguém que combine melhor com os princípios do partido do que Trump.

Nas redes sociais já se espalham vídeos em que republicanos queimam seus certificados de membros - em protesto pelas persistentes críticas das lideranças do partido contra Donald Trump.

Aparentemente, a situação entre os democratas é menos dramática. Hillary Clinton conseguiu muito mais votos diretos do que seu concorrente Bernie Sanders. Além disso, ela possui uma clara vantagem quanto aos chamados superdelegados, uma particularidade do Partido Democrata na escolha do seu candidato à Casa Branca.

Maratona pré-eleitoral sem fim

Portanto, teoricamente, bastaria a Clinton uma pequena margem de vitória em Nova York. Em termos matemáticos, mesmo uma pequena derrota lhe traria pouco perigo. "De qualquer forma, Clinton vai ser a principal candidata, não importa qual seja o resultado aqui", prognosticou o cientista político Sabato. "Mas, é claro, quanto melhor for o resultado de Bernie Sanders, mais animados vão ficar seus apoiadores."

E essa dinâmica incomoda Clinton. A ex-secretaria de Estado já queria ter decidido a campanha das primárias a seu favor há muito tempo. Mas agora ela tem de se esforçar ainda mais para atingir seu objetivo. Mesmo no fim de semana antes das importantes prévias em Nova York, ela fez campanha em Los Angeles, com vista a novas doações em dinheiro para a maratona pré-eleitoral que não chega ao fim.

Clinton no papel de favorita

Hillary Clinton foi por oito anos senadora pelo estado de Nova York. E mesmo que Sanders tenha nascido na maior cidade americana, para ela, seria uma difícil derrota não poder se impor em "sua cidade". Seria justamente uma confirmação para os céticos, que não têm dúvidas sobre a competência de Clinton, mas questionam sua capacidade de ganhar o coração das pessoas. E, principalmente nos EUA, o sentimento tem um papel decisivo na escolha final.

Fontes de sua equipe admitem abertamente que prefeririam gastar agora o tempo preparando a verdadeira corrida à Casa Branca, que será decidida nas eleições de novembro. "É claro que Bernie Sanders enfraquece assim a principal candidata de seu partido e a afasta do verdadeiro trabalho que há pela frente", explicou um membro da equipe de Clinton na sede da campanha no bairro nova-iorquino do Brooklyn.

É precisamente essa atitude que desagrada a muitas pessoas. "Hillary Clinton age como se tivesse direito à Casa Branca, mas ela não tem", comentou a apoiadora de Sanders Meggie McCollin. "Nós não vamos desistir e vamos lutar até o final", afirmou McCollin a caminho de mais um comício de Bernie Sanders nestes dias em Nova York. "Pois é o povo quem decide, não as regras do dinheiro."

De acordo com as pesquisas, Hillary Clinton está bem à frente de Bernie Sanders. Mas, neste ano, muitos prognósticos se mostraram errôneos no final. Não é improvável que, também depois das importantes eleições desta terça-feira, ainda não se saiba quem será o vencedor dessa corrida. Em nenhum dos dois partidos.

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