Homem-bomba de Bruxelas trabalhou por cinco anos no aeroporto

Terrorista trabalhou no aeroporto internacional de Zaventem até 2012 e deveria conhecer bem o local, afirma emissora belga. Ministro lembra que isso não significa que ele já houvesse se radicalizado na época.

Um dos terroristas que explodiram suas bombas no aeroporto internacional de Zaventem, em Bruxelas, em 22 de março, trabalhou no aeroporto durante cinco anos, até 2012, informou nesta quinta-feira (21/04) a emissora belga VTM.

Najim Laachraoui, de 24 anos, foi recrutado com contratos temporários por uma empresa que presta serviços no aeroporto e também trabalhou brevemente - ao todo, dois meses, em 2009 e 2010 - como faxineiro no Parlamento Europeu, há vários anos.

O canal de língua flamenga não forneceu detalhes sobre o serviço que Laachraoui realizou, mas afirmou que os funcionários do aeroporto geralmente estão sujeitos a controles de segurança e verificações de antecedentes antes de serem empregados.

Para a VTM, o terrorista deveria estar bem informado sobre os procedimentos de segurança do aeroporto por ter trabalhado cinco anos no local, mas a emissora lembra que ainda não se sabe por que Laachraoui se radicalizou.

O diário belga Standaard, também nesta quinta-feira, afirmou que o terrorista viajou para a Síria depois de deixar de trabalhar no aeroporto.

O ministro belga do Interior, Jan Jambon, disse que não se deve tirar conclusões precipitadas do fato de Laachraoui ter trabalhado por cinco anos no aeroporto, lembrando que isso não significa que, naquela época, ele já houvesse se radicalizado. O ministro belga disse que é necessário analisar essa informação dentro do contexto do processo de radicalização, "que pode ser muito curto".

Viagem à Síria

Laachraoui foi um dos dois homens-bomba que detonaram seus explosivos no aeroporto internacional da capital belga, em 22 de março. Os ataques coordenados também atingiram uma estação de metrô na cidade. Ao todo, 32 pessoas foram mortas, além dos três suicidas. Traços de DNA de Laachraoui foram encontrados num apartamento em Bruxelas, onde os coletes com explosivos usados nos atentados foram confeccionados.

O jovem, que chegou a ser estudante de engenharia elétrica, também é suspeito de ter fabricado as bombas utilizadas nos ataques de Paris, em novembro, que deixaram 130 pessoas mortas e também foi reivindicado pelo grupo jihadista "Estado Islâmico" (EI).

A emissora VTM também relatou que uma sala escondida de oração tinha sido descoberta no aeroporto de Bruxelas, pouco antes dos ataques, "onde funcionários radicalizados se reuniam para rezar em segredo". O aeroporto comunicou que fechou a sala a pedido da polícia. Além disso, investigadores teriam elaborado uma lista com "pelo menos 50 funcionários do aeroporto radicalizados".

Em 6 de abril, o Parlamento Europeu divulgou que um dos homens-bomba - Laachraoui, segundo a agência de notícias AFP - teve um trabalho sazonal de verão como faxineiro em sua sede de Bruxelas em 2009 e 2010.

Promotores belgas calculam que Laachraoui foi à Síria em fevereiro de 2013, onde se ligou ao EI. Ele ressurgiu para as autoridades europeias dois meses antes dos ataques de Paris, quando foi parado pela polícia na fronteira entre a Áustria e a Hungria. Laachraoui usava a identidade falsa de Soufiane Kayal e estava viajando com Salah Abdeslam, o único suspeito sobrevivente dos ataques na capital francesa.

PV/afp/ots

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