"Protestar em vez de emigrar" é lema na Macedônia

Elizabeta Milosevska (ca)

Há dias milhares de macedônios protestam contra partido governista VMRO: devido à corrupção, abuso de poder e nepotismo. Especialmente os jovens temem por seu futuro, mas o protesto lhes dá esperança de mudança.

"Em dias como esses, sente-se um novo amor. Um amor pela pátria. E a sensação é de querer ficar aqui, a qualquer preço, desafiando", afirma Dolores Popovic. Todos os dias, ela vai protestar nas ruas da capital da Macedônia, Skopje. Durante muito tempo, Popovic se mostrou bastante cética quanto às manifestações, dizendo estar convencida de que nada poderia mudar. Mas, do dia para noite, algo mudou na estudante de Artes Cênicas.

No ano passado, estudantes foram regularmente às ruas reclamar da política educacional e administrativa. Na época, ela não participava das manifestações. Mas agora, ao ver tantos jovens protestando contra o establishment político, ela pensou: "Se adolescentes de 18 anos podem lutar, por que não eu?" Desde então, todas as noites Dolores Popovic vai ao centro da capital macedônia. Ela protesta lado a lado daqueles que estão ali por nada menos que seu futuro.

Luta contra a falta de perspectiva

Eles querem trabalho, perspectiva de vida, oportunidade para todos. Querem um Estado estável, que não existe. "Eu luto por uma mudança. A Macedônia, da forma que o país funciona no momento, não oferece nenhum futuro. Não importa o que se tenha aprendido, um emprego só se consegue por meio de filiação partidária. Recuso-me a ser súdito de alguém. Não vejo nenhuma alternativa a não ser o protesto", disse à DW o estudante de Comunicação Darko Malinovski.

Ele afirmou estar convencido de que os cidadãos podem forçar uma mudança. Segundo Malinovski, eles só precisam protestar alto e em grande número. Ele disse estar convencido de que "o protesto e a pressão vão trazer o sucesso desejado." E afirmou não querer, de forma alguma, fazer o que muitos jovens desejam: emigrar. "Isso não pode ser uma opção!"

Juventude prolongada na Macedônia

Atualmente, viver na Macedônia não é motivo de alegria. O Estado não se preocupa com a juventude, relata Dona Kosturanova, diretora do Fórum de Educação de Jovens. Esse desinteresse do Estado agrava o problema, a juventude é hoje um dos grupos mais marginalizados na sociedade, afirmou a ativista.

"É por isso que vemos a síndrome da juventude prolongada. Na Macedônia, alguém com 29 anos ainda é estudante universitário, mora com os pais e não tem emprego. Tudo isso leva à apatia e à marginalização social", sublinhou Kosturanova. E à emigração. Não importa para onde, principalmente para fora do país, em direção do Ocidente.

O futuro está em outro lugar

Gorgi, de 33 anos, também está se preparando para emigrar. Nos últimos dez anos, ele tem sobrevivido com subempregos. Agora basta, diz ele.

"Os anos passam, nada muda. Por que eu devo passar a minha vida num país onde não tenho nenhuma perspectiva? Eu não me atrevo mais a imaginar um futuro positivo para mim. Há sempre uma luz no fim do túnel, mas não tenho tempo a perder. Não mais", completou.

Apesar de já estar com um pé fora, mesmo assim, Gorgi vai todos os dias protestar. A colorida revolução contra os governantes talvez seja a tábua de salvação. A última esperança.

Também para Dolores Popovic. Ela continua indo às ruas. Como tantas outras pessoas com a mesma opinião, ela vai continuar a protestar e a lutar. Fiel ao lema que está escrito num cartaz no centro de Skopje: "Protestar em vez de emigrar".

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