Como o ambiente influencia a personalidade de gêmeos

Kamila Rutkosky

Mesmo que a aparência, as roupas e a educação dada em casa sejam idênticas, gêmeos univitelinos se comportam de maneira diferente. Cientistas atribuem isso às experiências acumuladas durante a vida.

Hanna e Lotte ainda são bebês e, apesar de serem gêmeas idênticas, a mãe afirma que elas têm temperamentos bem diferentes. Enquanto uma é mais agitada e ativa, a outra é tranquila e observadora.

Gêmeos idênticos - também chamados de univitelinos ou monozigóticos - vêm de um único óvulo fertilizado, que se divide e gera seres humanos extremamente parecidos e sempre do mesmo sexo. No entanto, estudos mostram que, apesar da semelhança genética, cada um percebe o mundo de forma diferente e desenvolve a própria personalidade.

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Técnica de Dresden, na Alemanha, por exemplo, concluiu que mesmo que gêmeos tenham o mesmo DNA, as experiências que eles acumulam durante a vida ajudam a formar a personalidade. E quanto mais velhos, mais diferentes.

Os cientistas analisaram ratos geneticamente idênticos, inseridos num mesmo ambiente, para chegar a tal conclusão. Eles colocaram os animais numa gaiola cheia de brinquedos e observaram o comportamento de cada um deles.

Como havia muitas possibilidades de interação com os objetos dentro da gaiola, cada rato explorou o ambiente de uma maneira diferente, acumulando experiências distintas. Durante os três meses de experiência os animais foram se diferenciando cada vez mais.

Numa próxima etapa, os cientistas analisaram o cérebro dos animais e perceberam que os camundongos que exploraram mais a gaiola tinham um número maior de novos neurônios. E essa mudança no cérebro deixa indivíduos geneticamente idênticos ainda mais diferentes, promovendo a individualidade.

Curiosidades

Ter um gêmeo idêntico é viver com uma cópia de si desde o nascimento. Na infância muitos são até vestidos da mesma forma, o que pode confundi-los.

Enquanto a maioria das crianças se reconhece no espelho a partir dos dois anos de idade, os gêmeos só se reconhecem alguns meses depois. Isso porque ao se olharem no espelho, eles pensam que estão olhando para o irmão.

Os gêmeos também precisam de mais tempo para ter consciência do próprio eu. Isso é claramente manifestado na fala. Quando começam a falar, eles usam sempre a palavra "nós" e só se referem a si mesmos como "eu" bem mais tarde.

A digital de gêmeos idênticos também é diferente. Isso porque os bebês ficam em posições distintas no útero da mãe. Assim, os dedos têm contato com áreas diferentes, fazendo com que cada um desenvolva as próprias impressões digitais.

Após estudos explicarem a diferença de personalidade entre gêmeos idênticos, pedagogos discutem se eles se desenvolvem melhor juntos ou separados.

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