Como os carros autônomos facilitarão a sua vida

Nils Zimmermann (ca)

Em alguns anos, os veículos que andam sozinhos poderão estar transportando pessoas e cargas pelas cidades e estradas. Os entusiastas da nova tecnologia relacionam uma série de vantagens para o trânsito e o meio ambiente.

Somente em 2014, 32.675 pessoas perderam suas vidas em acidentes de trânsito nos Estados Unidos, e o número de feridos foi ainda maior. "Carros são um enorme perigo para a saúde e para o meio ambiente, e acidentes geram custos enormes. Mas isso vai mudar porque robôs não dirigem bêbados, não se transformam em idosos com reflexos lentos e não atrapalham o trânsito por causa de inexperiência. Eles vão conduzir de forma incomparavelmente mais segura do que pessoas", afirma o especialista canadense em automóveis Brad Templeton.

Segundo ele, os carros que andam sozinhos também serão muito mais silenciosos, ocuparão muito menos as estradas e economizarão bilhões de horas de condutores todos os anos porque não precisarão de ninguém que os conduza. E vão poluir muito menos. Templeton estima que a guinada para os carros autônomos provavelmente reduzirá as emissões de carbono nos Estados Unidos em 200 milhões de toneladas por ano e também as emissões de outros gases poluentes, como os óxidos nitrosos.

Mobilidade e flexibilidade

Imagine a seguinte cena: numa manhã qualquer, em 2025, você estará na calçada em frente ao seu prédio, tomando um café antes de um encontro de trabalho. Depois de alguns minutos, o veículo que você chamou pelo celular aparece e estaciona na sua frente. "Poderá ser um triciclo fechado", explica Templeton. "Você não será o proprietário. Provavelmente ninguém mais comprará automóveis, mas quilômetros rodados, e é possível chamar o tipo de veículo que for necessário numa determinada hora."

Naquele momento, você necessita de algo leve e rápido. Não são necessárias quatro rodas ou toneladas de aço e alumínio que só gastam energia, cujo aluguel por quilômetro rodado é muito mais caro, além de você correr um risco maior de ficar preso no tráfico.

A porta do triciclo se abre. Você só precisa jogar a bagagem no banco traseiro e colocar seus óculos de realidade virtual para acompanhar as notícias em 3D, enquanto o veículo faz o trajeto até o escritório. Quando ele chegar ao destino, vai automaticamente debitar a conta e exibir o valor ao passageiro. O carro sabe quem ele transportou, pois fez a identificação por meio de um chip RFID (rádio-frequência) embutido na carteira do cliente, que confirma o débito por impressão digital.

Melhor ocupação de espaço

Depois que você deixar o triciclo, ele poderá pegar outro passageiro, guiado por um sistema automático de expedição. O veículo também pode se dirigir à estação de limpeza mais próxima ou procurar um posto para recarregar sua bateria. Em qualquer caso, o sistema ao qual ele está conectado tem uma abundância de dados que lhe permitem saber onde um veículo deverá ser chamado em breve, de forma que é para lá que ele vai.

Nos horários de menor movimento, quando o veículo não é requisitado, o triciclo vai para uma garagem projetada para uma ocupação otimizada pelos carros. Como as pessoas não precisam entrar ou sair dos automóveis nesses estacionamentos, o aproveitamento espacial é muito eficiente - há somente automóveis, um do lado do outro.

"Dependendo se você conta os acostamentos ou não, hoje há de três a oito vagas para cada automóvel numa cidade. Cerca de 60% de Los Angeles está pavimentada. Quando os carros autônomos forem maioria nas estradas, grandes áreas vão ser liberadas para outros usos", diz Templeton.

Entrega rápida

Agora imagine outra situação: um colega de trabalho lhe telefona e marca um jogo de squash após o trabalho. Você esqueceu o equipamento esportivo em casa, então telefona para uma vizinha e pede a ela para pegar as raquetes em sua residência. A porta do apartamento reconhece a íris e a impressão digital dela, de forma que ela pode entrar.

A vizinha chama um serviço de entregas, que envia um carrinho de seis rodas movido a bateria, do tamanho de uma mala grande, que estava numa garagem próxima. Ela põe o material esportivo dentro do veículo, fecha-o com sua impressão digital e o envia para o ginásio esportivo. Você tem uma conta conjunta com a sua vizinha. Assim, quando o carro chega, você pode desbloqueá-lo com a sua impressão digital.

Esses carrinhos de carga podem acompanhá-lo durante todo o dia ou ser enviados para onde você quiser por causa do chip RFID na sua carteira. Eles podem até mesmo subir escadas. Assim, os dias de carregar fardos pesados vão ser coisa do passado.

Isso tudo não é ficção científica: Templeton trabalha para uma empresa startup baseada nos Países Bálticos e que desenvolve um carrinho de carga autônomo com seis rodas. Os empresários esperam que serviços de entrega de pizza estejam entre os primeiros grandes usuários do novo equipamento.

Sem gasolina

No futuro, carros sem direção e sem painel de controle - na verdade sem muito por dentro, a não ser assentos confortáveis e um bom sistema de som - poderão levar passageiros, por exemplo, para uma praia distante 300 quilômetros no fim de semana. "Hoje as montadoras constroem carros equipados com computadores. Empresas como Google e Apple estão entrando no negócio de carros autônomos, e elas vão construir computadores com rodas", explica Templeton.

Mesmo que a viagem abranja milhares de quilômetros e seja realizada em alta velocidade e com um alto consumo energético, num mundo de veículos elétricos autônomos não será necessário recorrer aos combustíveis fósseis. Se os passageiros não quiserem parar para recarga, só é preciso trocar a bateria ou o próprio carro depois de algumas centenas de quilômetros. Basta deixar o sistema saber com antecedência que uma troca será necessária, e um substituto estará esperando no local indicado.

Nesse cenário não aparece nenhum motor movido a gasolina ou a diesel. Segundo Templeton, ao menos no setor de veículos de passeio, a idade do combustível fóssil chegará ao fim bem antes do que a maioria das pessoas pensa.

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