Obama apela pela união de europeus

Sabine Kinkartz (cn)

"Mundo precisa de uma Europa forte e unida", afirma presidente dos EUA em Hannover, onde se encontra com Merkel, Cameron, Hollande e Renzi para debater desafios globais.

A visita do presidente dos Estados Unidos a Hannover foi uma decisão de última hora, estimulada por uma boa ocasião: a feira industrial que ocorre na cidade alemã. Hannover teve a segurança reforçada por milhares de policiais, e com ela o Castelo Herrenhausen, que oferece um espaço mais apropriado para conversas políticas.

A oportunidade de sentar à mesa com Obama e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, fez com que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, fizessem a curta viagem até a cidade alemã.

A reunião desta segunda-feira (25/04) não deveria ser mais do que um diálogo para a troca de opiniões - nada de minicúpula e muito menos um encontro do G5. O governo alemão se esforçou para que conversa de cerca de 90 minutos tivesse pouco destaque na mídia. Não foi planejada uma entrevista coletiva dos cinco líderes para a imprensa, por exemplo, e só fotógrafos e câmeras puderam se aproximar deles.

Obama certamente tinha muito a dizer a seus colegas europeus. O presidente americano deixou transparecer sobre o que exatamente falaria com eles durante o discurso que fez pouco antes na feira industrial. "O mundo inteiro precisa de uma Europa forte, próspera, democrática e unida", disse, sabendo que a União Europeia (UE) enfrenta um prova de fogo sem precedentes.

Os Estados Unidos precisam dos europeus mais do que nunca. Síria, Iraque, Afeganistão, Líbia, Ucrânia, as divergências com a Rússia - diante da abundância de problemas pelo mundo, seria um pesadelo para os EUA se a União Europeia desmoronasse. "Precisamos de uma Europa forte para que ela assuma sua parte nos esforços conosco", afirmou Obama.

O presidente americano garantiu ainda aos europeus que os Estados Unidos, "seu grande aliado e amigo", continuarão do seu lado. Obama ressaltou que uma Europa unida é "uma esperança para muitos e uma necessidade para todos". O convidado americano reforçou também que a Europa tem um papel decisivo no mundo.

"A Europa contribui para que as normas e regras com as quais a paz pode ser alcançada em todo o mundo sejam mantidas", disse Obama, citando como exemplos da cooperação estreita o acordo nuclear iraniano e o acordo do clima em Paris.

Mais recursos para a defesa

Obama afirmou ainda que não se pode permitir que fronteiras sejam redesenhadas. "Não através da violência militar", ressaltou, tendo em vista a Ucrânia. "A grandeza verdadeira não resulta da intimidação a vizinhos", afirmou, numa crítica à Rússia.

Mas o presidente americano exigiu dos europeus não somente união como também apoio concreto, especialmente no combate ao grupo extremista "Estado Islâmico" (EI). Para Obama, esse é o maior desafio da atualidade.

Em Hannover, ele anunciou o envio de mais 250 soldados americanos para a Síria para apoiar as milícias locais no combate aos jihadistas. O presidente americano fez ainda um apelo aos aliados para que aumentem sua contribuição para a Otan.

"A Europa foi, em alguns momentos, complacente em relação a sua própria defesa", disse, ressaltando a importância de que todos os membros da Aliança Atlântica contribuam com uma parcela equivalente a 2% de seu PIB. Obama já havia conversado sobre essas exigências com Merkel, durante o encontro deles no domingo.

Para o presidente americano, a chanceler alemã é a líder mais apropriada, entre os europeus, para manter o bloco unido. "Ela lidera com pulso firme. Podemos aprender com ela como liderar, como ela conduz as mãos. Não sei como chamar a forma como ela une as mãos. O losango da Merkel, acho", disse Obama.

O losango da Merkel também apareceu, com certeza, no encontro com Obama, Cameron, Hollande e Renzi. A conversa acabou durando quase duas horas. Após a reunião, o presidente americano deixou Hannover em direção a Washington.

Em seguida, os convidados de Londres, Paris e Roma também se despediram da chanceler, que acatou o pedido da imprensa e apresentou um comunicado sobre a reunião.

Segundo Merkel, o foco do encontro foram as crises políticas mundiais. A reunião tratou de problemas de política externa e buscou coordenar ações. "Queremos superar as questões mais urgentes da agenda segurança com um estreito trabalho em conjunto", disse a chanceler, acrescentando que isso se refere aos recentes apelos do presidente americano.

Parece que a mensagem de Obama por uma Europa mais forte e mais unida com os Estados Unidos foi entendida.

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