OMS alerta para "aumento significativo" de casos de zika

Conferência em Paris reúne especialistas de diversos países para discutir o vírus e as doenças relacionadas a ele. No Brasil, o surto apresenta "clara diminuição", enquanto aumentam os temores na Europa.

Em torno de 600 especialistas de 43 países se reúnem nesta segunda-feira (25/04) em Paris para discutir o recente surto de zika vírus, que começou no Brasil no início de 2015, se espalhou pela América Latina e agora ameaça se alastrar para o resto do mundo.

Cientistas e especialistas em saúde pública discutem a relação da infecção pelo vírus com casos de microcefalia em bebês, além de problemas neurológicos em adultos, como a síndrome de Guillain-Barré, que pode causar paralisia e morte.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para um potencial "aumento significativo" das infecções, enquanto no Brasil o surto apresenta sinais de declínio. Há, porém, temores de que o zika possa chegar ao hemisfério norte durante o verão, na metade do ano, juntamente com os mosquitos transmissores.

"Enquanto as temperaturas começam a aumentar na Europa, duas espécies de mosquitos Aedes, que sabemos que podem transmitir o vírus, começarão a circular", afirmou a diretora-assistente da OMS Marie-Paule Kieny durante a conferência em Paris. "O mosquito não conhece fronteiras", alertou.

Levando-se em conta o risco de que as transmissões possam ocorrer através de relações sexuais, o mundo "poderá testemunhar um aumento acentuado do número de pessoas infectadas pelo zika e das complicações relacionadas", disse Kieny. Ela descreveu o vírus como uma "emergência global" e uma "ameaça crescente".

Com a queda das temperaturas nas regiões tropicais e subtropicais, o surto no Brasil está "claramente em declínio", afirmou Kieny, sem fornecer dados sobre a informação.

Risco baixo para a Europa

O Instituto Pasteur divulgou recentemente uma pesquisa afirmando que, ainda assim, para o continente europeu o risco é reduzido, uma vez que o mosquito Aedes albopictus, presente em cerca de 20 países durante o verão, é menos capaz de causar surtos da doença do que o Aedes aegypti.

Mesmo que as transmissões locais sejam possíveis, o risco de um surto na Europa é "aparentemente baixo", segundo o imunologista francês Jean-François Delfraissy.

Apesar das inúmeras pesquisas realizadas, pouco se sabe soube o vírus - por quanto tempo pode permanecer ocultado no corpo humano, o grau do risco de transmissão sexual, a relação completa das doenças que podem resultar do zika e todas as espécies de mosquito que podem transmiti-lo.

"O que preocupa não é o que sabemos, mas o que não sabemos", afirmou o professor Davis Heymann, da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres. "Não podemos fazer recomendações se não compreendemos todo o potencial de um vírus ou bactéria", disse.

No início do mês, autoridades de saúde dos Estados Unidos comprovaram a associação entre a contaminação pelo vírus e os casos de microcefalia, e afirmaram que o zika é "mais assustador" do que se pensava.

"Continuamos a aprender todos os dias, e o que aprendemos não é nada tranquilizador", disse Anne Schuchat, vice-diretora do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA.

RC/afp

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