Trégua na Síria exclui cidade de Aleppo

"Regime de silêncio" de várias horas imposto por EUA e Rússia visa fortalecer cessar-fogo entre rebeldes e forças de Assad, em vigor desde o fim de fevereiro, mas frequentemente desrespeitado.

Um "regime de silêncio" de várias horas foi estabelecido neste sábado (30/04) em dois dos principais fronts da guerra civil na Síria, por pressão da Rússia e dos Estados Unidos.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, uma ONG sediada em Londres, confirmou que os lados em conflito depuseram armas por 24 horas na cidadela rebelde Ghuta Oriental, próxima a Damasco, e por 72 horas em regiões da província litorânea de Latakia, no norte do país. A pausa não vale, porém, para a capital regional Aleppo, onde os combates prosseguem.

Segundo o Exército sírio, as tréguas locais visam "fortalecer o cessar-fogo em curso". Na prática, contudo, o cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos e a Rússia, válido desde 27 de fevereiro, está praticamente fora de vigor, em meio aos combates entre os rebeldes e as forças do governo do presidente Bashar al-Assad.

Situação "complexa" em Aleppo

O Departamento de Estado dos EUA declarou que não pressionaria pelo fim dos combates em Aleppo por a situação local ser "complexa". "Queremos nos concentrar em fortalecer a cessação das hostilidades, renová-la, reafirmá-la, de forma a podermos sustar as lutas ou as violações constantes nessas áreas", afirmou Mark Toner, porta-voz do órgão sediado em Washington.

Combates sangrentos têm abalado a cidade de Aleppo, no norte sírio, desde meados de abril, quando a aliança opositora Alto Comitê de Negociações (HNC, na sigla em inglês), apoiada pela Arábia Saudita, abandonou as conversações de paz. O Observatório Sírio de Direitos Humanos registra que ao menos 244 civis foram mortos desde a última erupção de violência, em 22 de abril.

Nesta sexta-feira, o alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Raad al-Hussein, repreendeu os partidos da guerra civil síria pelo "monstruoso descaso pelas vidas de civis", exigindo "ação urgente de todos os agentes relevantes".

O diplomata jordaniano igualmente instou a comunidade internacional a "combater a impunidade que tanto tem encorajado um sem-número de horrendas violações das leis internacionais humanitária e dos direitos humanos", ocorridas na Síria nos últimos cinco anos.

Desde a eclosão do conflito, em 2011, quando as forças governamentais esmagaram os protestos pró-democracia e pela deposição de Assad, mais de 270 mil pessoas já foram mortas e cerca de metade da população síria foi desalojada.

AV/dw/afp/rtr/efe

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