Cinco das Ilhas Salomão já desapareceram, diz estudo

Timothy Jones (pv)

Pesquisa australiana afirma que elevação do nível do mar provocou desaparecimento de recifes desabitados e erosões graves em outras seis ilhotas. País insular é considerado lugar ideal para estudar a mudança climáatica.

Um estudo australiano registra que cinco ilhas do país insular Ilhas Salomão desapareceram e outras seis sofreram graves erosões devido à subida do nível do mar. Os cientistas responsáveis acreditam que as informações do relatório podem ajudar em futuras pesquisas sobre os efeitos do aumento do nível do mar.

"Pelo menos 11 ilhas do norte do arquipélago das Ilhas Salomão ou desapareceram completamente durante as últimas décadas ou estão atualmente sofrendo graves erosões", diz o texto, publicado na revista científica Environmental Research Letters.

Os pesquisadores analisaram imagens aéreas e de satélite de 33 ilhas, feitas entre 1947 e 2014, além de entrevistar residentes. As cinco formações que desapareceram eram todas ilhas de recifes de tamanho significativo e com vegetação. Embora não fossem povoadas, eram ocasionalmente usadas pelos pescadores.

O estudo também indica que dez casas foram arrastadas para o mar, entre 2011 e 2014, numa das outras seis ilhas de recifes que sofreram danos pela severa erosão resultante da subida do nível do mar. Além disso, as linhas costeiras recuaram em duas localidades, forçando comunidades, estabelecidas no mínimo desde 1935, a se mudarem.

Lições sobre a mudança climática

O principal autor do estudo, Simon Albert, comentou à agência de notícias AFP que o aumento do nível do mar nas Ilhas Salomão é quase três vezes superior à média global, tornando o arquipélago um lugar ideal para estudar o fenômeno.

Entre outros aspectos, o relatório estabeleceu uma conexão entre o aumento do nível do mar e a ocorrência de ondas maiores e, portanto, mais perigosas. A informação pode ser útil para futuros projetos científicos, afirma Albert.

Além dos desalojamentos mencionados, Taro, na província de Choiseul, deverá ser a primeira capital provincial do mundo forçada a realocar seus residentes e serviços para outras áreas, em consequência da subida das águas.

As Ilhas Salomão, que têm uma população total de cerca de 600 mil, também foram palco de outro fenômeno natural resultante da mudança climática em 2014: o Centro para Pesquisa de Epidemiologia de Desastres, sediado na Bélgica, classificou as inundações provocadas pelo ciclone tropical Ida como o desastre isolado mais mortal daquele ano.

Além das 21 vítimas imediatas das inundações, a maioria crianças com menos de 14 anos, outras dez crianças morreram nos dias seguintes, de diarreia e complicações relacionadas ao desastre natural. Nos meses seguintes, milhares de outros habitantes, sobretudo crianças menores de cinco anos, apresentaram gripe ou diarreia.

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