Chefe da estatal ferroviária da Áustria será novo chefe de governo

Partido Social-Democrata decide nomear Christian Kern como sucessor de Werner Faymann. Divisões internas da legenda, ascensão da extrema direta e posicionamento do país na crise migratória serão seus principais desafios.

O Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) decidiu nomear o executivo-chefe da empresa ferroviária estatal ÖBB, Christian Kern, como novo chanceler federal, comunicou o presidente interino da legenda, Michael Haeupl, nesta sexta-feira (13/05).

Na segunda-feira, o social-democrata Werner Faymann renunciara à chefia do governo e à presidência do partido, pressionado pela derrota histórica dos social-democratas no primeiro turno da eleição presidencial e pela crítica ao gerenciamento austríaco da crise migratória.

"A decisão está tomada", declarou Haeupl à agência estatal austríaca de notícias APA. O também prefeito de Viena acrescentou que a decisão formal será apresentada na terça-feira pela direção do partido. No dia seguinte, Kern deve ser empossado pelo presidente da Áustria, Heinz Fischer, e se apresentar ao Parlamento.

Premiê com raízes operárias

Christian Kern, de 50 anos, é considerado um dos executivos mais poderosos da Áustria, sendo amplamente creditado pela recuperação da companhia ferroviária nacional ÖBB. Filho de uma secretária e de um eletricista, ele possui raízes na classe operária.

Kern lançou as bases para uma futura carreira política ainda na universidade, onde estabeleceu as primeiras conexões políticas na organização estudantil do SPÖ. Depois de formado, trabalhou um tempo como jornalista econômico, antes de ser contratado como porta-voz, primeiramente de uma secretaria do Estado e, em seguida, do Partido Social-Democrata no Parlamento.

Em 1995, foi eleito por repórteres políticos como o melhor porta-voz da Áustria. Logo depois, entrou para o mundo dos negócios, permanecendo, porém, perto da política. Primeiro subiu na hierarquia da Verbund, companhia energética parcialmente estatal, antes de se tornar presidente-executivo da ÖBB, em 2010, posição tradicionalmente destinada a um social-democrata.

Crise migratória: um divisor de águas político

Os social-democratas austríacos estão internamente divididos entre os que favorecem a atual linha do país em relação à imigração, e os que desejam uma política mais humana. Ao mesmo tempo, o partido não tem uma estratégia clara para combater os avanços políticos dos populistas de extrema direita do Partido da Liberdade (FPÖ).

O SPÖ e o Partido Popular Austríaco (ÖVP) dominam o cenário político da Áustria desde 1945, mas há anos o apoio vem caindo. Assim como em outros países da Europa, depois que quase 1 milhão de refugiados passaram pelo país no ano passado eles têm perdido espaço para legendas marginais, especialmente para o FPÖ.

Enquanto não está claro qual postura política a Áustria adotará em relação à crise migratória, o ponto de vista pessoal de Kern ficou visível no ápice do fluxo de refugiados, em 2015, quando ele decidiu que os trens da ÖBB iriam transportar e abrigar milhares de migrantes. "A questão é: qual é a alternativa? Devemos deixar as pessoas dormindo a céu aberto?", argumentou, na época.

PV/dpa/ap/afp

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