Cristina Kirchner indiciada por prejuízo a cofres públicos

Juiz acusa ex-presidente e sua equipe de "administração fraudulenta", no caso da venda de milhões de dólares em contratos futuros pelo Banco Central argentino, abaixo do valor estabelecido pela Bolsa de Nova York.

Um juiz federal na Argentina processou nesta sexta-feira (13/05) a ex-presidente Cristina Kirchner e integrantes da sua antiga equipe por "administração fraudulenta em prejuízo da administração pública", numa causa em que se investigam operações financeiras do Banco Central do país.

O juiz Claudio Bonadío, um dos principais adversários de Cristina no Judiciário, argumenta que a ex-presidente havia endossado uma política pela qual a autoridade monetária vendeu milhões de dólares em contratos futuros pelo preço baixo que seu governo fixava num mercado de câmbio regulado.

No auto de acusação, o juiz explica que o instrumento financeiro "dólar futuro", aplicado neste caso à compra e venda de divisas norte-americanas, é uma especulação em pesos contra a cotização futura do dólar.

Quando o atual presidente da Argentina, Mauricio Macri, substituiu Kirchner em dezembro, ele liberou o câmbio, e o peso local caiu quase 30 por cento, o que obrigou o Estado a entrar com a diferença para cumprir com esses contratos futuros.

O juiz também ordenou o processo contra o ex-chefe do Banco Central, Alejandro Vanoli, e do ex-ministro da Economia, Axel Kicillof, duas figuras muito próximas da ex-presidente. Cristina Kirchner também está envolvida em outra causa, uma por lavagem de dinheiro, na qual se investiga funcionários públicos e empresários por um suposto desvio de recursos públicos.

As ações judiciais que complicam a situação de Kirchner também ameaçam Macri, que assumiu com a promessa de combater a corrupção e facilitou a reativação desses casos, mas alguns do seu entorno também são investigados.

Como parte do processo, Cristina Kirchner deverá agora se defender oralmente em juízo. Bonadío também ordenou um embargo de seus bens de 15 milhões de pesos (1,06 milhão de dólares), segundo o Centro de Informação Judicial.

Prejuízo milionário

Em abril, Kirchner recorreu aos tribunais para se defender das acusações, argumentando que as operações em investigação "foram levadas a cabo legitimamente pelas autoridades do Banco Central", de acordo com a legislação em vigor.

A investigação judicial começou em outubro do ano passado na sequência de uma denúncia de deputados da oposição ao governo Kirchner. Os parlamentares alegaram que, com a celebração de contratos de dólar futuro, o Banco Central da Argentina vendeu dólares abaixo do preço estabelecido pela Bolsa de Nova Iorque para este tipo de contratos.

Os cálculos do juiz é que com os contratos celebrados entre setembro e dezembro de 2015, o Banco Central da Argentina (BCA) perdeu o equivalente a 109 milhões de dólares. A administração anterior do BCA garantiu que se tratou de operações normais e habituais, usadas em diversos países para regular e dar previsibilidade ao mercado cambial.

No auto de acusação, o juiz considera "impensável" que Cristina Kirchner não soubesse de uma operação financeira desta dimensão.

CA/rtr/lusa

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