Ex-prefeito de Londres compara objetivos da UE aos de Hitler

Em entrevista, Boris Johnson diz que bloco europeu segue passos do ex-ditador alemão e de Napoleão. A poucas semanas de referendo sobre saída do Reino Unido da UE, campanha pela "Brexit" entra em fase decisiva.

O ex-prefeito de Londres Boris Johnson afirmou em entrevista publicada na edição deste domingo (15/05) do The Sunday Telegraph que o bloco europeu estaria seguindo o caminho traçado por Adolf Hitler e Napoleão, ao tentar criar um superestado europeu.

Árduo defensor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), Johnson disse que faltavam democracia e uma autoridade unificadora na UE e que o bloco estava fadado ao fracasso. "Napoleão, Hitler, várias pessoas tentaram isso, e tudo terminou tragicamente", afirmou o ex-prefeito ao jornal.

Johnson disse querer que o povo britânico se torne novamente "os heróis da Europa", algo que remonta à linguagem usada pelo primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra, Winston Churchill, lembrou o jornal. O ex-prefeito também afirmou que os países-membros da UE permitiram que a Alemanha crescesse em poder dentro do bloco, "tomando" a economia italiana e "destruindo" a Grécia.

Hillary Benn, porta-voz de Assuntos Externos do oposicionista Partido Trabalhista, afirmou que Johnson perdeu a orientação moral. "Depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial, a UE ajudou a trazer um fim a séculos de conflito na Europa, e é tanto ofensivo quanto desesperador que Boris Johnson faça tal comparação."

O ex-prefeito de Londres é membro do partido conservador do primeiro-ministro britânico, David Cameron. Ao contrário de Johnson, o premiê é contra uma "Brexit" (saída do Reino Unido da UE).

Cameron defende permanência na UE

Num comício neste fim de semana, Cameron alertou sobre as consequências de uma saída do Reino Unido da União Europeia. Segundo o portal alemão Spiegel Online, em Whitney, Cameron advertiu sobre consequências econômicas "terríveis" de uma possível "Brexit".

O premiê destacou que esses efeitos já teriam sido detalhados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pelo Banco Central do Reino Unido (Banco da Inglaterra), pela London School of Economics, entre outros.

"Se votarmos a favor de uma 'Brexit' em 23 de junho, estaremos votando por uma possível recessão, e isso é do que nossa economia menos precisa", afirmou Cameron.

Também neste domingo, o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, rebateu críticas de que, com seu alerta claro diante dos efeitos econômicos de uma "Brexit", o Banco Central do Reino Unido teria violado a sua independência. Em entrevista à emissora BBC, Carney falou que advertir de riscos seria, antes, uma obrigação das autoridades monetárias.

Na semana passada, Carney havia alertado que uma saída do Reino Unido da UE enfraqueceria fortemente a economia britânica e aumentaria maciçamente o desemprego. Em seguida, os apoiadores do "Brexit" o acusaram de tomar partido e de desestabilizar os mercados.

Preparativos para o referendo

A comissão eleitoral responsável inicia nesta semana a campanha e registro de eleitores para o referendo sobre a "Brexit". Segundo o jornal britânico The Guardian, somando 2,4 milhões de libras esterlinas (por volta de 13 milhões de reais), essa será uma das campanhas mais caras já organizadas pela comissão.

A partir desta semana, 28 milhões de domicílios serão convocados - através de cartazes, panfletos e slogans publicitários - a se inscrever no referendo planejado para acontecer no próximo dia 23 de junho.

"Este é um evento e histórico e queremos que todos participem", afirmou o presidente da comissão eleitoral, Alex Robertson, segundo o The Guardian. Até agora, 7,5 milhões de britânicos não estão registrados para a votação.

Enquanto isso, apoiadores e opositores da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) tentam deixar claro os prós e contras de um eventual "Brexit" - palavra formada pela junção de "Britain" e "exit" (Reino Unido e saída, em inglês).

CA/rtr/dpa/ots

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