Supostos planos da UE de reforçar energia nuclear geram furor

Documento a que o portal alemão "Spiegel Online" teve acesso revelaria intenção da Comissão Europeia de reforçar setor e construir reatores. Braço executivo da União Europeia reage após críticas.

Após o portal de notícias alemão Spiegel Online divulgar nesta terça terça-feira (17/05) que a Comissão Europeia pretende incrementar o uso de energia nuclear nos países do bloco europeu, o braço executivo da União Europeia (UE) esforçou-se para abafar as reações adversas.

Segundo a Comissão, o documento de estratégia ao qual o Spiegel Online teve acesso é um "documento para discussão" da direção geral de pesquisa, ciência e inovação. O documento deve ser discutido "abertamente" na quarta-feira da semana que vem com representantes de todos os países-membros interessados e "de maneira nenhuma" estabelece a posição da Comissão Europeia, afirmou o órgão.

Segundo a reportagem do Spiegel Online, a Comissão Europeia visa incrementar o uso a utilização da energia nuclear nos países do bloco com o objetivo de defender a supremacia tecnológica no setor. O documento ao qual o portal teve acesso sugeriria que os Estados-membros devem intensificar a cooperação em termos de pesquisas, financiamentos e construção de novos reatores.

Segundo o Spiegel, a UE pretende construir minirreatores, o primeiro dos quais deveria entrar em funcionamento até 2030.

O objetivo dos planos seria reduzir a dependência do gás importado da Rússia, além de atingir as metas de redução das emissões de CO2 na atmosfera. Ao contrário da produção de energia através do carvão e do gás, as usinas nucleares praticamente não emitem CO2.

O documento proporia, entre outros fatores, a melhora nas condições para investimentos no setor. Os recursos deveriam ser canalizados pelo Fundo Europeu de Investimentos Estratégicos e por programas de incentivo à pesquisa da UE. Alguns desses programas deverão ser financiados pelo Banco Europeu de Investimento (BEI).

Críticas na Alemanha

Na Alemanha, que já anunciou que abandonará a energia nuclear até 2022, o Partido Verde fez severas críticas ao suposto "documento para discussão". O vice-líder da legenda, Oliver Krischer, afirmou que "a altamente perigosa energia nuclear não deve receber quaisquer subsídios". "Esperamos que [o vice-chanceler federal alemão e ministro da Economia] Sigmar Gabriel rechace essas ambições nucleares absurdas por parte da UE".

"Acreditar que, com mais energia nuclear seria possível salvar o clima é um equívoco", declarou a ministra do Meio Ambiente alemã, Barbara Hendricks. "A proteção climática precisa da adoção de energias renováveis, e não da manutenção de uma tecnologia ultrapassada e cara."

Atualmente, existem na UE 131 usinas nucleares em 14 Estados-membros, com capacidade de gerar cerca de 120 gigawatts. Novos reatores estão na fase de planejamento em 14 países. Os governos nacionais são quem decide sobre o incremento ou o abandono da energia nuclear.

RC/rtr/ots

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