França enfrenta greve de trens contra reforma trabalhista

Mudanças propostas pelo governo resultam em mais uma de uma série de paralisações, reduzindo pela metade serviços ferroviários no país. Polícia faz protesto contra violência em manifestações.

A série de greves e protestos de sindicatos na França das últimas semanas, para forçar o governo a desistir de uma reforma nas leis trabalhistas, ganhou um novo agravante nesta quarta-feira (18/05), com a adesão de trabalhadores portuários e ferroviários.

A paralisação reduziu pela metade os serviços de trens no país e causou o cancelamento do tráfego de embarcações para o Reino Unido. A circulação de trens de alta velocidade e municipais foi reduzida entre 40% e 50%, e afetou também as linhas suburbanas, informou a empresa estatal SNCF. Os ferroviários deverão manter a greve até a manhã desta sexta-feira.

Caminhoneiros, por sua vez, mantiveram os bloqueios de estradas erguidos nesta terça-feira. O objetivo é barrar entregas para um centro de distribuição de um supermercado e um depósito de combustível.

Polícia sobrecarregada

Também nesta quarta-feira, a polícia organizou o próprio ato de protesto, em razão do aumento da violência contra os membros da corporação. O sindicato dos policiais exige do governo medidas mais rígidas contra os atos violentos. Um porta-voz informou que cerca de 350 policiais sofreram ferimentos nas manifestações recentes, e um deles teve o crânio fraturado.

Alguns manifestantes chegaram a arremessar bombas e projéteis caseiros contra a polícia. O porta-voz disse que o número de desordeiros que agiram com maior violência durante os protestos - entre 200 e 300 pessoas - foi, em grande parte, motivado pelo "ódio contra os policiais".

A polícia diz estar sobrecarregada em razão das medidas de segurança adicionais estabelecidas pelo estado de emergência decretado após os ataques terroristas em Paris, em novembro.

Ameaça à proteção ao trabalhador

A reforma trabalhista proposta pelo do governo, a um ano da eleição presidencial, tem como objetivo simplificar as contratações e demissões, além de descartar regulamentações nacionais que impedem que as empresas adotem suas próprias regras para o pagamento dos salários.

O governo afirma que as reformas irão incentivar a contratação por parte das empresas, resultando em avanços no combate ao desemprego, que se mantém acima dos 10%. Os críticos, porém, argumentam que as medidas põem em risco as proteções trabalhistas asseguradas há muitos anos pela legislação.

O presidente François Hollande disse que não pensa em se candidatar à reeleição caso não consiga reverter ao menos parcialmente o desemprego. Segundo pesquisas, as reformas propostas pelo governo são rejeitadas por três em cada quatro pessoas no país.

RC/rtr/dpa

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