Maioria das pessoas acolheria refugiados, aponta Anistia

Dagmar Breitenbach-Ulrich (av)

Anistia Internacional divulga primeiro índice de boas-vindas a migrantes, indicando que, na escala mundial, muitos estão dispostos a abrir suas próprias casas. Alemães e chineses são líderes em termos de hospitalidade.

Segundo uma pesquisa encomendada pela ONG Anistia Internacional (AI), 80% da população mundial estaria disposta a acolher refugiados de braços abertos. Muitos entrevistados afirmaram que até se disporiam a hospedar os desalojados em suas próprias casas.

O Refugees Welcome Index (Índice de boas-vindas aos refugiados) é o primeiro relatório de seu gênero, realizado pela consultoria independente de estratégia GlobeScan em 2016, com mais de 27 mil pessoas de 27 nações. Neles, os países são classificados segundo a disposição da população a aceitar migrantes em seu território nacional, sua cidade, bairro e lares.

Gauri van Gulik, vice-presidente da AI na Europa, pretende o estudo como um "contrapeso ao pressuposto, difundido mundo afora, de que populismo signifique sentimento antirrefugiados; de que a coisa mais popular a fazer seja bloquear tantos refugiados quanto possível". Como comentou à DW, ela considera essa noção "uma pressuposição um tanto preguiçosa".

Nesse sentido, a retórica anti-imigração empregada por alguns governos estaria "desconectada daquilo em que as pessoas realmente acreditam", prosseguiu a ativista dos direitos humanos. A mensagem aos Estados seria: "Vocês têm mais apoio do que pensam para acolher os refugiados e respeitar seus direitos."

China e Alemanha num extremo, Rússia e Tailândia no outro

Um entre cada dez entrevistados para o estudo estaria até disposto a receber migrantes na própria casa. Van Gulik comenta que é fácil as pessoas afirmarem que concordam com o princípio de aceitar os refugiados, em geral. "Mas será que elas ainda o apoiam quando a coisa chega mais perto de seus lares?" A resposta foi surpreendentemente positiva, registra.

As nações com índices mais baixos de hospitalidade foram Rússia, Indonésia e Tailândia. Por sua vez, China, Alemanha e Reino Unido apresentaram as maiores percentagens de cidadãos dispostos a abrir suas casas para os desalojados. Entre os chineses, essa proporção chegou a quase 50%.

"É um indicador interessante de um estado de espírito", enfatiza a vice-presidente da AI na Europa. Ela sugere que vale a pena considerar a resposta chinesa ao se discutir como outros países deveriam receber mais refugiados. "Talvez na China haja espaço para pensar mais nisso", especula.

Entre os participantes do estudo em todo o mundo, 73% concordaram que aqueles que fogem da guerra e da perseguição devem buscar abrigo em outros países. Na Europa, o apoio para o acesso ao asilo foi especialmente pronunciado na Espanha, Alemanha e Grécia. Na Tailândia e Turquia, em contrapartida, a maioria se manifestou contra.

Responsabilidade dos governos

No total, dois entre cada três entrevistados crê que os governos nacionais deveriam fazer mais para ajudar aos seres humanos que tentam escapar da guerra e perseguição. As respostas mais positivas partiram da China, Nigéria e Jordânia, limitando-se a apenas 30% na Tailândia e na Rússia.

No âmbito da União Europeia, 76% dos alemães e 74% dos gregos querem que os governos façam mais. Por outro lado, na Turquia, Índia, Tailândia e Rússia, concentrou-se a maior taxa de rejeição nesse quesito.

Assim como os britânicos, a grande maioria dos alemães (96%) acolheria refugiados em seu país - apenas 3% os rejeitariam. Em termos globais, 32% os aceitaria em seus bairros; 47%, em suas comunidades; e 80%, em seus países.

Enquanto apenas 17% do total negaria a entrada no país, essa seria a atitude de mais de um terço dos russos, aponta a pesquisa.

Hora de superar retórica negativa

Às vésperas da Cúpula Humanitária Mundial, que se realiza em 23 e 24 de maio na metrópole turca Istambul, a Anistia Internacional instou os governos a se comprometerem com um sistema permanente para partilhar a responsabilidade de "hospedar e atender aos refugiados".

Nesse aspecto, um pacto global proposto pela Organização das Nações Unidas no início de maio poderia ser aprovado pelos líderes mundiais numa reunião de alto nível marcada para 19 de setembro. Ambas as conferências visam abordar a maior crise humanitária em mais de 70 anos.

Para Van Gulik, é importante aumentar a consciência sobre o fato de que uma grande parcela da população de numerosos países é a favor de acolher os refugiados. "Está na hora de superar essa retórica de que 'todo mundo discorda' e 'todo mundo é contra os refugiados'." "Isso claramente não é verdade", conclui. "Portanto, vamos seguir adiante e começar a discutir o que podemos fazer para resolver a crise."

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