Avião da EgyptAir caiu no Mediterrâneo, diz Hollande

Voo MS804 da companhia egípcia perdeu contato com os radares cerca de 20 minutos antes de pousar no Cairo. Presidente francês confirma que Airbus, que partiu de Paris com 66 pessoas a bordo, caiu.

Um avião da EgyptAir que voava de Paris para o Cairo, com 66 pessoas a bordo, desapareceu do radar sobre o Mar Mediterrâneo, disse nesta quinta-feira (19/05) o Ministério de Aviação Civil francês. O presidente francês, François Hollande, confirmou que o avião caiu.

"Precisamos assegurar que sabemos tudo em relação às causas do que aconteceu. Nenhuma hipótese está descartada", disse Hollande. "Se foi um acidente ou outra hipótese que todos têm na cabeça, uma hipótese terrorista... Neste momento, precisamos focar na solidariedade com as famílias e na busca pelas causas da catástrofe."

As equipes militares de resgate francesas receberam um sinal de emergência dos sistemas de segurança automáticos do avião às 4h26 (hora local), cerca de duas horas depois de a aeronave perder contato com os radares, informou a EgyptAir. A Procuradoria francesa disse ter aberto uma investigação sobre o incidente.

O avião, do tipo Airbus A320, desapareceu cerca de 20 minutos antes do horário previsto para a aterrissagem no Cairo, quando já se encontrava no espaço aéreo egípcio. Segundo a EgyptAir, o avião foi fabricado em 2003, e o piloto tinha 6.275 horas de voo. O céu estava limpo no momento do desaparecimento.

As Forças Armadas do Egito enviaram aviões e unidades marítimas para a área, a cerca de 280 quilômetros da costa do país. Dois aviões e uma fragata do Exército grego também estão ajudando nas buscas, e a França anunciou o envio de barcos e aeronaves para a região.

Uma fonte do Ministério da Defesa da Grécia disse que as autoridades estão investigando um relato de um capitão de um avião mercante que disse ter visto uma "chama no céu" a cerca de 130 milhas náuticas ao sul da ilha de Karpathos.

"Nada de anormal"

O voo MS804 havia partido às 23h09 desta quarta-feira do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. O vice-presidente da EgyptAir, Ahmed Adel, disse à agência de notícias Reuters que não havia "nada de anormal" com o voo.

Nele viajavam três funcionários de segurança, sete tripulantes e 56 passageiros - incluindo 30 egípcios e 15 franceses. Os demais eram cidadãos de Portugal, Iraque, Argélia, Bélgica, Reino Unido, Canadá, Chade, Kuwait, Arábia Saudita e Sudão. Segundo informações da companhia aérea, pelo menos três crianças estavam a bordo.

Histórico de ocorrências

Em outubro do ano passado, um Airbus da companhia MetroJet (Kogalymavia) caiu sobre a península egípcia do Sinai, com 224 pessoas a bordo. Uma explosão registrada em seu interior foi reivindicada pelo grupo extremista "Estado Islâmico" (EI). O incidente levou vários países a impor restrições de voo com o país norte-africano, como a Rússia, que proibiu a EgyptAir de voar sobre seu território.

Em março deste ano, um voo da companhia aérea egípcia foi sequestrado pouco depois de partir de Alexandria com destino ao Cairo. Um dos passageiros obrigou o comandante a aterrissar em Larnaca, afirmando ter um cinto de explosivos ao redor do corpo. Mais tarde, foi revelado que este era falso.

LPF/efe/rtr/afp

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