População teme colapso da economia com fim do campo de Idomeni

Jannis Papadimitriou, de Polykastro (md)

Moradores da região temem que economia local sofra com a retirada dos refugiados e a saída das ONGs humanitárias, que se tornaram uma importante fonte de renda.

A polícia grega prosseguiu nesta quarta-feira (25/05) com a retirada de migrantes do campo de Idomeni, na fronteira com a Macedônia. A meta das forças de segurança é retirar mais de 2 mil refugiados. A maioria será levada para abrigos próximos à segunda maior cidade do país, Tessalônica.

Em Idomeni estavam acampados cerca de 8,4 mil refugiados. O transporte começou nesta terça-feira, com a transferência de outros 2 mil refugiados. Segundo as autoridades, 2.031 pessoas foram levadas do campo de Idomeni, a bordo de 42 ônibus, entre elas 662 sírios, 1.273 curdos e 96 yazidis. A intenção é esvaziar totalmente o local em dez dias.

O aposentado Thomas Pournaras, morador da cidade vizinha de Polykastro, está preocupado que a desocupação do acampamento afete a economia da região, embora diga entender que os migrantes precisem de melhores condições de vida do que a precariedade que tiveram que enfrentar no campo de Idomeni. "Temo que a economia praticamente entre em colapso quando os refugiados e as organizações não governamentais forem embora", diz Pournaras.

Polykastro é uma típica cidade-quartel no norte da Grécia. É feia, mas tem uma certa simpatia e vivacidade, sendo pequena e agradável. Fachadas de concreto dominam a paisagem urbana. Na época áurea, mais de 3 mil soldados estavam estacionados nas proximidades, mas, depois de várias medidas de austeridade, permaneceram só 800. No mais, motoristas de caminhão que fazem sua parada de descanso costumam ser os únicos visitantes de Polykastro.

Isso até 2015, quando organizações não governamentais (ONGs) de todo o mundo descobriram a cidade durante a crise dos refugiados. "Desde então não há apartamento para alugar que esteja vazio. Para a nossa economia, as ONGs são tão importantes quanto os militares eram antigamente", diz o idoso, morador da cidade há 46 anos.

Pournaras faz questão de ressalvar que os moradores, apesar de também passarem por necessidades, sempre foram generosos na ajuda aos refugiados. Ele destaca que muitas vezes voluntários da região distribuíram alimentos aos recém-chegados ou cozinharam para eles.

Já o carteiro Panagiotis Depoudis, de 50 anos, diz que os habitantes de Polykastro "ajudaram e foram ajudados", lembrando que especialmente as ONGs contribuíram para a redução do desemprego na região. Ele diz não acreditar que todos os refugiados deixarão Idomeni.

"A falta de alojamentos é um problema sério e é possível atenuá-lo, mas não dá para simplesmente transferi-lo para outro lugar", alerta. Ele considera importante que políticos locais e ONGs desenvolvam um conceito para a educação e integração de crianças refugiadas. "No mais tardar em setembro, ou seja, após as férias de verão, eles terão que encarar esse desafio", adverte Depoudis.

Jornalistas são impedidos de entrar no campo de Idomeni durante o transporte dos refugiados. O acesso ao local só é permitido a repórteres da agência de notícias estatal ANA e da emissora de TV estatal ERT, as quais, mesmo assim, quase não reportam sobre o assunto.

Na viagem de regresso para Polykastro é possível perceber que, diferentemente do que ocorria até março, não há refugiados indo em direção a Idomeni. Patrulhas policiais podem ser vistas a cada mil metros, e veículos suspeitos são controlados.

Táxis são tidos como especialmente suspeitos. "Eu nunca faria isso", responde o taxista Lazaros, quando questionado se transportaria migrantes. Ele diz que a polícia é severa e considera taxistas que transportam refugiados como traficantes de pessoas. Por isso, ele evita fazer corridas para Idomeni. Embora uma vez, há duas semanas, tenha levado dois gregos para Gevgelija, do outro lado da fronteira greco-macedônia. "Mas eles não eram refugiados, só queriam participar de um torneio de pôquer", diz Lazaros.

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