Opinião: Cúpula do G7 ainda faz sentido

Christoph Kober

Riscos para a economia mundial crescem, mas líderes das sete maiores nações industriais não chegam a acordo sobre programa conjuntural comum. Ainda assim, encontro segue relevante, opina o correspondente Christoph Kober.

As sete principais nações industriais não fazem por menos: elas se comprometem a "juntas, abordar os problemas econômicos e lançar as bases para um crescimento econômico forte, duradouro". Em tom portentoso, assim reza a declaração final da conferência de cúpula do G7 no Japão.

De maneira vaga, o documento prossegue: isso deverá ser alcançado com uma "forte mistura" de política fiscal e monetária, assim como com reformas políticas. Ou seja: gastar mais, imprimir mais dinheiro, poupar mais - cada um pode fazer o que achar certo. Quem se perguntar onde está a linha comum o faz com toda a razão.

O anfitrião do encontro, Shinzo Abe, encontra-se sob pressão política interna. Sorrindo, anunciou ao fim da cúpula: "As 'Abenomics' vão se expandir em nível global." Assim o primeiro-ministro japonês denomina seu coquetel político-econômico de programas conjunturais financiados à custa de dívidas, de uma avalanche de dinheiro do Banco Central e de promessas de reformas políticas.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, provavelmente não concorda com essa declaração, e o mesmo deve se aplicar aos outros representantes do G7. Aliás, nenhum deles partilhou a avaliação de Abe de que a atual situação teria resquícios da crise pós-Lehman. A cúpula de Ise-Shima demonstrou quão distanciados os estados do G7 estão em relação ao tema central, a conjuntura.

No entanto continua fazendo sentido esse encontro das nações líderes econômicas mundiais, iniciado mais de 30 anos atrás como intercâmbio informal. Em primeiro lugar, como fórum de diálogo entre os tomadores de decisões. Situações de crise mostram quão valiosas são as relações políticas amadurecidas. Ainda mais quando está presente um novato no mais alto palco da política mundial, como o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

A cúpula também mostrou que uma postura comum une os países do G7. Mesmo que a China não seja mencionada explicitamente no comunicado final, os chefes de Estado deixaram claro que seguem uma linha conjunta. Isso se aplica tanto à disputa geoestratégica travada pelos chineses com seus vizinhos nas águas fronteiriças quanto aos subsídios de Pequim, que distorcem ainda mais a competição no já ofegante setor siderúrgico.

Outros tópicos centrais foram: posicionamento claro diante da Rússia no conflito com a Ucrânia e dos testes de mísseis da Coreia do Norte; comprometimento com o comércio mundial; e mais cooperação na crise dos refugiados.

Agora é preciso instilar vida, ações e dinheiro nas grandes palavras e valores comuns. No caso do Iraque, o G7 já fez isso no encontro no Japão, prometendo ao país apoio no valor de mais de 3 bilhões de dólares. Além disso, pela primeira vez o grupo se pronunciou expressamente a favor do acesso à assistência de saúde para todos os cidadãos do mundo. Só falta o dinheiro para isso. Talvez no ano que vem, na próxima conferência de cúpula na Sicília, Itália.

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