Comboio entrega ajuda humanitária em subúrbio de Damasco

Essa é a primeira vez desde 2012 que a região controlada por rebeldes e sitiada por tropas do governo recebe assistência internacional. Moscou coordena cessar-fogo local para garantir entrega de suprimentos na cidade.

Um comboio de ajuda humanitária entregou nesta quarta-feira (01/06) suprimentos na cidade síria de Daraya, localizada no subúrbio de Damasco e controlada por rebeldes. Essa é a primeira assistência internacional que a região recebe desde que o regime do presidente Bashar al-Assad montou um cerco ao local em 2012.

Apesar do apelo por comida, as caminhonetes levaram à região suprimentos médicos, vacinas, leite para crianças e itens nutricionais. O diretor do Programa Alimentar Mundial na Síria, Jakob Kern, afirmou que o governo não permitiu a entrega de alimentos no primeiro transporte, mas que ela está planejada para acontecer na sexta-feira.

A ONU alertou que crianças poderiam morrem de fome diante a horrível situação em Daraya e avisou, no mês passado, que se não tivesse permissão para o acesso às zonas cercadas até o início de junho iria começar a prestar assistência via aérea na região.

A organização Save the Children criticou a proibição da entrega de alimentos junto com o primeiro comboio. "A comunidade internacional precisa pressionar ambos os lados do conflito para permitir e manter a ajuda humanitária", ressaltou uma diretora da ONG.

A entrega da ajuda humanitária foi possível graças a um cessar-fogo local de 48 horas, anunciado por Moscou no início desta quarta-feira. O Ministério de Defesa da Rússia afirmou que coordenou com autoridades sírias e os Estados Unidos a pausa nos conflitos.

Cidade sitiada

Daraya, que possuía cerca de 8 mil habitantes, foi uma das primeiras cidades sírias a se manifestar contra o governo em 2012. Forças de segurança de al-Assad sitiaram a região no fim do mesmo ano. Apesar de apelos internacionais, as autoridades Damasco se recusam a liberar o envio de ajuda humanitária ao local.

As Nações Unidas estimam que 4 mil civis ainda estejam na cidade, que é bombardeada constantemente desde 2012.

O enviado especial da ONU para a crise Síria, Staffan de Mistura, ressaltou que as negociações de paz, encerradas no fim de abril, só serão retomadas quando houver melhoras no acesso à ajuda humanitária, além da redução dos confrontos.

Mai de 280 mil pessoas morreram na Síria desde o início do conflito em março de 2011 e milhões foram obrigadas a abandonar suas casas.

CN/rtr/afp/lusa

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