França recebe Eurocopa sob a sombra do terrorismo

Charles Duguid Penfold (fc)

País destaca mais de 90 mil soldados e policiais, áreas em torno de estádios serão isoladas, e torcedores revistados ao menos duas vezes. "A ameaça existe", admite o presidente François Hollande.

Seis meses após os ataques terroristas em Paris, que deixaram 130 mortos, a França permanece em estado de emergência. E, para a Eurocopa 2016, que começa nesta sexta-feira (10/06), o governo afirma que não economizou para garantir a segurança do evento.

O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, revelou recentemente as medidas de segurança que estão sendo colocadas em prática. Ele disse que 90 mil policiais, soldados, guardas de segurança privada e socorristas foram destacados para o evento, que vai contar com a participação de 24 seleções europeias.

Em seu discurso, Cazeneuve descreveu os esforços para proteger a 15ª edição do torneio como "uma mobilização total do Estado, bem como das cidades-sede e dos organizadores".

Ele também observou que as forças de segurança estão fazendo seu dever de casa, tendo realizado dezenas de treinamentos práticos para se preparar para qualquer tipo de ataque possível.

Mesmo assim, coisas deram errado na final da Copa da França, justamente alguns dias antes do anúncio de Cazeneuve: alguns torcedores conseguiram entrar no estádio com objetos proibidos como barras de plástico, garrafas quebradas e bombas de fumaça.

Problemas de comunicação

Segundo Elie Tenenbaum, especialista em terrorismo do instituto francês IFRI, a final do torneio era tida como um teste para as medidas de segurança a serem colocadas em prática na Eurocopa. Ele diz que o principal problema foi a dificuldade de comunicação entre os diferentes serviços de segurança.

"Você tem um monte de diferentes atores na segurança. Se eles conseguem falar e se coordenar uns com os outros, eles serão eficientes. Caso contrário, sejam por razões burocráticas, políticas ou outras, as coisas correrão mal", explica Tenenbaum.

Em declarações à revista esportiva L'Equipe, Cazeneuve tentou minimizar os problemas, declarando que havia diferenças significantes entre a final da Copa da França e as partidas da Eurocopa.

"Não foram os mesmos espectadores, organizadores e nem o mesmo planejamento de segurança", declarou.

Durante o torneio serão criadas diversas zonas de segurança no entorno dos dez estádios, o que significa que os torcedores serão revistados mais de uma vez antes de conseguir entrar nos locais. Serão também determinadas zonas de exclusão aérea sobre os estádios e os locais de treinamento das 24 seleções, para protegê-las de eventuais ações de drones.

Preocupação com áreas de telões

Entre as maiores preocupações das autoridades estão as fan zones que foram criadas em todo o país, de modo que as pessoas possam assistir aos jogos em grandes telões ao ar livre. Estima-se que oito milhões de pessoas visitarão a França para o torneio, mas apenas 2,5 milhões têm ingressos para as partidas.

Devido às preocupações com segurança, há apelos para que os eventos ao ar livre sejam cancelados. No entanto, Cazenueve defendeu a decisão de seguir em frente com eles, explicando que os torcedores estarão sujeitos a controles de segurança antes de conseguirem entrar nos locais.

O especialista Tenenbaum concorda que as fan zones poderiam ser o maior risco, mas afirma que dezenas de milhares de soldados destacados para a segurança ajudam a atenuar os riscos de ataques.

Questionado sobre os tipos de atentados para os quais as autoridades francesas precisariam estar preparadas, Tenenbaum comenta que eles variam desde ações dos chamados "lobos solitários" a operações bem planejadas e coordenadas, como os últimos ataques na capital francesa.

Segundo ele, embora a França continue em alerta de ameaça terrorista e o torneio europeu seja um alvo atraente, é importante notar que, até agora, nenhuma agência de inteligência indicou ter recebido uma ameaça específica.

"Eu diria que eles [os visitantes] não são mais ameaçados por terrorismo durante os jogos da Eurcopa do que durante qualquer viagem à França", opina Tenenbaum. No entanto, ele aponta que um grande número de jihadistas tem retornado a França, Reino Unido e Alemanha depois dos recentes reveses sofridos pelo "Estado Islâmico" em Síria e Iraque.

"A ameaça existe", declarou o presidente francês, François Hollande, no último domingo. "E continuará, com certeza, durante um longo período de tempo."

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