Presidentes de Parlamentos europeu e alemão atacam Erdogan

Martin Schulz e Norbert Lammert defendem deputados alemães de origem turca da acusação de apoiar o terrorismo, por terem aprovado a classificação como genocídio do massacre da minoria armênia pelo Império Otomano.

A troca de farpas entre políticos alemães e turcos sobre o reconhecimento do genocídio armênio continuou nesta quinta-feira (09/06), com um firme rechaço dos presidentes do Parlamento alemão, Norbert Lammert, e do Parlamento Europeu, Martin Schulz, às declarações e acusações feitas pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Schulz exigiu de Erdogan, em carta divulgada nesta quinta, que suspenda as ameaças aos deputados de origem turca envolvidos na recente resolução do Parlamento alemão sobre o genocídio armênio.

Há uma semana, os parlamentares alemães aprovaram, quase por unanimidade, a resolução que classifica como genocídio o massacre perpetrado em 1915 pelo Império Otomano contra a minoria armênia. O governo turco tachou a resolução de "um erro histórico", que ameaça arranhar ainda mais as relações entre Ancara e Berlim, desgastadas no último ano devido à crise migratória e ao debate sobre o papel de cada país no acolhimento aos refugiados.

Além disso, o presidente turco acusou pessoalmente os 11 deputados de origem turca que votaram a favor da resolução de serem uma extensão do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), classificado como organização terrorista tanto na Alemanha quanto na Turquia. Além disso, Erdogan exigiu um teste de sangue, para verificar a origem dos parlamentares.

Schulz, do Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha, condenou as declarações do chefe de Estado turco, definindo-as como uma "quebra de tabu". "Parlamentares que se posicionam no contexto de seus mandatos, independente de quaisquer diferenças de opinião sobre uma questão política, não podem, de forma alguma, ser comparados a terroristas", advertiu.

"Com grande preocupação tomei conhecimento das notícias de que o senhor atacou seriamente com palavras a membros do Parlamento alemão eleitos democraticamente", disse Schulz na carta a Erdogan. "Como presidente de um Parlamento multinacional, multiétnico e multirreligioso, permita-me a seguinte observação: o livre exercício do mandato pelos parlamentares é um pilar decisivo de nossas democracias europeias."

O presidente do Parlamento alemão, Norbert Lammert, igualmente rebateu as críticas de Erdogan, dizendo considerar inconcebível "um presidente eleito democraticamente no século 21" acompanhar sua crítica aos deputados com "dúvidas sobre a ascendência turca" deles, e "classificar seu sangue como degenerado". "Rechaço de todas as formas a suspeição de que membros deste Parlamento seriam porta-vozes de terroristas", enfatizou o político democrata-cristão.

RC/dw/ots

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