AR-15 usado em massacre de Orlando é o fuzil mais popular dos EUA

Elizabeth Schumacher

  • Erik S. Lesser/EFE

    27.jul.2012 - Vendedor mostra como se opera um rifle AR-15 em uma loja de armas de Atlanta

    27.jul.2012 - Vendedor mostra como se opera um rifle AR-15 em uma loja de armas de Atlanta

Para matar 49 pessoas em um clube gay, Omar Mateen usou um dos 3,3 milhões de fuzis AR-15 nos EUA. Para advogado que processa fabricantes, semiautomático com histórico de atentados é a arma padrão de tiroteios em massa.

Aurora, Sandy Hook, San Bernardino e agora Orlando: em cada um desses lugares dos Estados Unidos, um agressor portando um fuzil de assalto AR-15 deu fim a vidas de crianças de escola, frequentadores de cinema, gente celebrando o Natal ou uma noitada.

Projetado pela firma ArmaLite para o Exército americano e originalmente produzido pela Colt na década de 1960, o AR-15 é a arma de cano longo mais popular dos EUA, de acordo com a National Rifle Association (NRA).

Segundo o jornal USA Today, em 2013 a Fundação de Nacional de Tiro Esportivo (NSSF, na sigla em inglês) divulgou que entre 5 milhões e 8,2 milhões de fuzis de assalto pertencem a pessoas físicas nos EUA. Em pesquisa realizada em 2012, a revista Slate estimou que cerca de 3,3 milhões deles eram AR-15.

A arma semiautomática é elogiada por usuários e admiradores por ser leve, acomodar cartuchos de alta capacidade e relativamente fácil de personalizar.

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"Padrão-ouro dos assassinatos em massa"

Durante uma década, foi ilegal comprar um AR-15 novo nos EUA, sob o estatuto de proibição de armas de assalto Federal Assault Weapons Ban (AWB, na sigla em inglês). Após a morte de 34 crianças e um professor em 1989, em Stockton, Califórnia, por um homem usando um rifle semiautomático AK-47, Washington quis impedir os fuzilamentos em massa possibilitados pela precisão e velocidade de armas como o AK-47 e o AR-15.

Em 1994, o presidente Bill Clinton transformou a AWB em lei, como parte de uma legislação criminal mais ampla. Contudo, a proibição tinha uma validade inicial de dez anos, e em 2004 o Congresso não a renovou.

Desde que voltou a ser legalizado, o AR-15 se transformou no "padrão-ouro para o assassinato em massa de civis inocentes", diz o advogado que representa as famílias das vítimas do tiroteio na escola fundamental Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, num processo contra os fabricantes por negligência.

A partir dessa tragédia, em dezembro de 2012, quando Adam Lanza, de 20 anos, fuzilou 20 crianças e seis funcionários, suicidando-se em seguida, o AR-15 não pode ser vendido em Connecticut, Nova York e Maryland, entre outros estados.

A NRA sustenta que o fuzil semiautomático é útil como arma de caça. No entanto, segundo um grande número de websites, tanto anti quanto pró-armas, os caçadores o descartam como pouco útil na perseguição de presas a uma certa distância.

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Convite a novos atentados

Diversos grupos terroristas, inclusive o "Estado Islâmico", conclamaram seus seguidores a perpetrarem atentados aproveitando-se da branda legislação americana em relação à posse e venda de armas.

Segundo a mídia, o assaltante Omar Siddiqui Mateen jurou lealdade ao EI antes de matar pelo menos 50 pessoas e ferir 53 no clube gay Pulse, em Orlando Flórida, na manhã deste domingo (12/06). Em seguida ao atentado a tiros mais mortal da história dos EUA, ele foi abatido pela polícia.

Apesar de Mateen ter sido alvo de investigações do FBI em 2013, por conexões terroristas, considerou-se que ele não constituía "perigo concreto". Mateen comprara suas armas legalmente poucos dias antes do atentado. Pelo menos uma delas era um AR-15.

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