Protesto em Paris termina com mais de 20 feridos

Manifestantes contra reforma trabalhista entram em confronto com a polícia. Maioria de feridos é policial. Greve em resposta a mudança deixa fechada Torre Eiffel e paralisa transportes durante Eurocopa.

Um confronto entre policiais e manifestantes, durante protestos contra a polêmica reforma trabalhista na França, deixou nesta terça-feira (14/06) pelo menos 26 feridos em Paris. De acordo com as autoridades, cerca de 20 pessoas foram detidas após a confusão.

Milhares de manifestantes lotaram as ruas do centro de Paris. Durante a passeata, um grupo de mascarados atirou pedaços de pau e objetos contra forças de segurança, que responderam com jatos d'água e gás lacrimogêneo. Entre os feridos, 20 são policiais. Alguns manifestantes quebraram ainda janelas e vitrines de lojas e bancos.

Desde março, sindicatos e organizações estudantis promovem em várias cidades francesas uma série de protestos contra a reforma trabalhista, promovida pelo presidente François Hollande. Os manifestantes alegam que a mudança ameaça os direitos dos trabalhadores, beneficia apenas empresários e mantém a precariedade no mercado de trabalho.

A revolta dos manifestantes se deve ao fato de que a mudança da legislação tornará as contratações e demissões mais simples. A proposta é uma das bandeiras de Hollande, assolado por índices de popularidade que ameaçam sua reeleição em maio de 2017.

Além dos protestos, greves como parte da resposta do setor público à proposta de reforma nas leis trabalhistas acontecem no país em meio à Eurocopa. A Torre Eiffel permaneceu fechada nesta terça-feira, e taxistas bloquearam algumas das principais rodovias de acesso à capital.

Nos últimos meses, as greves atingiram também o setor de transporte aéreo e ferroviário, além da coleta de lixo em Paris. Em um protesto por melhores condições de trabalho, pilotos da Air France paralisaram o trabalho desde sábado por quatro dias. Segundo a companhia aérea, cerca de 20% dos voos foram cancelados nesse período.

A última leva de protestos e greve coincide com o debate sobre a mudança na legislação que ocorre atualmente no Senado. Além de Paris, onde mais de 50 mil pessoas foram às ruas, protestos aconteceram nesta terça-feira em Marselha e outras cidades do país.

CN/lusa/afp/ap

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