Eurocopa pode influenciar referendo do Brexit?

Kathleen Schuster (fc)

O Reino Unido navega nos últimos dias entre a euforia do futebol e o caos político. A combinação, porém, pode ser perigosa: um estudo diz que os resultados esportivos podem, sim, ter influência nas urnas.

Um estudo da Universidade Duisburg/Essen e da Universidade de Constança, ambas na Alemanha, mostrou que resultados esportivos podem influenciar eleitores numa votação - o que levanta a pergunta: a Eurocopa pode alterar o comportamento dos britânicos no referendo de quinta-feira (23/06), quando se irá às urnas decidir sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia?

O estudo, que analisou dados das eleições alemãs de 2013, aponta que os distritos cujos times da primeira divisão vivenciavam uma série de vitórias consecutivas não só tenderam a votar nos políticos que estavam atualmente no poder, mas também registraram uma maior participação eleitoral.

A euforia das vitórias futebolísticas pode impulsionar a presença de um torcedor na seção eleitoral mais próxima, onde ele estará mais propenso a votar pelo estabelecido - em outras palavras, o candidato que representa o status quo.

A questão é o que o orgulho nacional alimentado por uma vitória inglesa poderia significar para a relação entre o Reino Unido e a UE.

Os eleitores do Reino Unido não são somente os ingleses, e o desempenho da Inglaterra na Eurocopa não seria visto como uma vitória para os britânicos como um todo. Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte também vão votar em 23 de junho, além dos residentes britânicos de Gibraltar e Irlanda, residentes de Chipre e Malta no Reino Unido e dos cidadãos britânicos que vivem no exterior.

No País de Gales e na Irlanda do Norte - ambos disputando o torneio -, o número de eleitores indecisos é maior do que a média do Reino Unido. Dos eleitores galeses, 41% são favoráveis ao Brexit, mesma cifra que se diz a favor da permanência na UE. Deles, 18% afirmam estarem indecisos.

Entre os eleitores na Irlanda do Norte, aproximadamente um terço está indeciso, enquanto 20% são favoráveis ao Brexit e 44% querem permanecer no bloco europeu. A Escócia, que não conseguiu se classificar para o torneio, tem uma forte campanha a favor da permanência na UE, com o apoio de 53% dos eleitores - porém uma queda em relação aos 66% de abril.

"Há uma sensação geral de que, se a Inglaterra jogar bem, isso poderia gerar um sentido de celebração nacional e melhorar o ânimo, e fazer com que mais algumas pessoas votem pela permanência. Nós nos sentiríamos mais positivamente inclinados à Europa", afirma o cientista político Simon Lightfoot. "As palavras Euro 2016, euro e União Europeia estão todas conectadas."

Mas há também outro argumento: "Ser o primeiro colocado do grupo poderia alimentar o sentimento de 'bem, na verdade, nós podemos alcançar sozinhos, olhe para o quão bom nós somos, olhe para o quão bem nós jogamos, e isso pode, na verdade, dar um apoio à campanha a favor da saída do país do bloco."

Então, qual lado representa o favorecido neste cenário? Lightfood acredita que seria a campanha a favor da permanência, que mais bem representa o status quo. O cientista político observa, porém, a importância de não exagerar nessas correlações: uma série de fatores contribuirá para a decisão dos eleitores no dia 23.

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