Ativistas alertam sobre desastre humanitário em Falluja

Dezenas de milhares de pessoas fugiram da cidade iraquiana libertada das mãos do "Estado Islâmico". Campos de refugiados da região estão superlotados, e organizações humanitárias pedem ação do governo.

Mais de 80 mil civis fugiram da cidade iraquiana de Falluja desde que a operação para retomar a cidade das mãos do grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) foi anunciada no mês passado, afirmou a agência da ONU para refugiados (Acnur) neste domingo (19/06). O governo iraquiano declarou a reconquista da cidade, a 50 quilômetros de Bagdá, na última sexta-feira.

O êxodo civil tem sobrecarregado campos de refugiados, deixando milhares sem abrigo. O Acnur afirmou que ativistas estão se preparando para outro grande êxodo nos próximos dias. "Estimamos que outras milhares de pessoas continuem presas em Falluja."

"Imploramos que o governo iraquiano assuma o controle sobre esse desastre humanitário", disse o diretor do Conselho Norueguês de Refugiados, Nasr Muflahi. A organização afirmou não estar mais conseguindo atender aos refugiados, citando o exemplo de um campo recém-aberto ao sul de Falluja, que abriga 1.800 pessoas e só possui uma latrina para mulheres.

"Precisamos que o governo iraquiano assuma um papel de liderança ao suprir as necessidades dos mais vulneráveis civis, que suportaram meses de trauma e terror", disse Muflahi.

No chão e sob o sol

O gerente de um campo de refugiados na região disse que os recursos disponíveis não são adequados para lidar com uma crise dessa dimensão.

"Quatrocentas famílias chegaram ao campo nos últimos quatro dias, elas não têm nada", disse, em condição de anonimato. "Garantimos tendas para alguns, mas o restante, incluindo mulheres e crianças, está dormindo no chão sob o sol. A situação deles é uma tragédia."

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, prometeu dar apoio aos deslocados. Na última sexta-feira, depois de forças iraquianas hastearem a bandeira do país em Falluja, o premiê declarou que a cidade havia sido libertada. No entanto, o trabalho ainda não acabou, pois centenas de combatentes do EI continuam escondidos em bairros no norte.

A perda de Falluja, a primeira cidade iraquiana conquistada pelo "Estado Islâmico", é mais uma numa série de derrotas sofridas pelo grupo, enfraquecendo o "califado" proclamado pelos jihadistas há dois anos. Os conflitos que tiveram início depois que o EI avançou sobre o Iraque, no verão de 2014, já forçaram mais de 3,4 milhões de pessoas a deixar suas casas no país.

LPF/ap/afp/rtr

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