Maioria dos cidadãos da UE é contra "Brexit"

Pesquisa revela que apenas 20% de europeus são a favor da saída do Reino Unido do bloco. A quatro dias do referendo, Cameron usa argumentos econômicos para intensificar campanha pela permanência.

Mais da metade dos cidadãos da União Europeia são contra o "Brexit"(saída do Reino do bloco), revelou um estudo da Fundação alemã Bertelsmann, publicado nesta segunda-feira (20/06). Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados desejam a permanência do país no bloco.

O estudo mostrou ainda que 20% dos europeus são a favor do Brexit e 25% não têm uma posição sobre o tema. Apesar da maioria contrária, os entrevistados não temem os impactos diretos de uma possível saída do Reino Unido em seus países. Mais de dois terços dos europeus acreditam que essa decisão não terá consequências internas.

Quando se trata dos impactos sobre a União Europeia (UE), 45% dos entrevistados acreditam que a situação do bloco vai se deteriorar com a saída do Reino Unido. Entre as consequências, 45% dizem que ocorrerá um enfraquecimento econômico, e 26% veem uma perda de poder para a UE.

A preocupação sobre um possível Brexit varia entre os países. Mais de 50% dos poloneses e 48% dos alemães temem as consequências dessa decisão para a União Europeia. Já a maioria dos franceses, espanhóis e italianos não acreditam em efeitos negativos.

A surpresa da pesquisa ficou entre os eurocéticos. Apenas 38% deles são a favor da saída do Reino Unido e outros 32% estão indecisos. Para a pesquisa, cerca de 11 mil pessoas foram entrevistadas em abril em diversos países da União Europeia.

Cameron intensifica campanha contrária

Às vésperas do referendo, o primeiro-ministro britânico David Cameron intensificou a campanha contra o Brexit, com a retomada da batalha eleitoral após três dias de pausa na sequência da morte da deputada Jo Cox. Para defender a permanência no bloco, o premiê alertou sobre os impactos econômicos que a decisão contrária ocasionaria ao país e aos britânicos.

Em entrevista à rede britânica de televisão BBC, Cameron reiterou no domingo (19/06) que o Brexit seria irreversível. "Devemos ouvir especialistas [como o Banco da Inglaterra, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e o Fundo Monetário Internacional] que nos deram uma clara mensagem sobre os riscos para nossa economia, para empregos e subsistência de pessoas no nosso país", disse.

Cameron ressaltou ainda que o Brexit causaria a perda do acesso ao livre-comércio com o bloco, criando um déficit no orçamento no país que deverá ser preenchido com o aumento de impostos ou corte de gastos.

"Tenho certeza que nossa economia vai sofrer se sairmos", disse o premiê, acrescentando que o impacto atingirá diretamente os britânicos. "Pessoas que acreditam que haverá dividendos com a saída estão erradas. Vamos perder dinheiro", reforçou.

"Se ficarmos, conseguimos reformas, e podemos trabalhar por mais mudanças", disse, lembrando o status especial que o país possui na União Europeia e pedindo votos contra o Brexit.

Cameron defendeu a permanência no bloco também no domingo em um artigo publicado no jornalThe Sunday Telegraph. "Se saíssemos, e logo isso se revelasse como um grande erro, não haveria uma maneira de mudar de ideia e ter outra chance", alertou e argumentou que a saída ameaçava o comércio e os investimentos, o que poderia causa uma recessão.

Pesquisas divulgadas no fim de semana mostraram que, embora o "Remain" (permanência na UE) esteja recuperando força, o cenário geral é de um eleitorado dividido. Com apenas quatro angariar votos, ambos os lados retomaram as campanhas com entrevistas e artigos em jornais, reacendo o debate sobre imigração versus economia.

CN/afp/dpa/rtr/ots

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