Debate final do Brexit é marcado por troca de acusações

Prefeito de Londres, Sadiq Khan, recrimina campanha anti-imigração dos favoráveis pelo Brexit. Seu antecessor, Boris Johnson, promete que a saída da UE será "o dia da independência" e não afetará a economia.

Os lados rivais no referendo sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia (UE) se enfrentaram num acalorado debate final em frente a uma audiência de milhares de pessoas numa arena de concertos, nesta terça-feira (21/06), em Londres.

Foi a última oportunidade para as duas campanhas conquistar os eleitores britânicos. Pesquisas de opinião pública mostram uma disputa bastante acirrada a pouco mais de um dia para o dia da votação que deve moldar o futuro da Europa.

No palco estavam, entre outros, o atual prefeito de Londres, Sadiq Khan, favorável pela permanência britânica no bloco europeu, e seu antecessor, Boris Johnson, que defende o Brexit. E houve acusações mútuas.

"Sua campanha não é um projeto de medo, mas tem sido um projeto de ódio no que se refere a imigração. Vocês estão dizendo mentiras e assustando as pessoas", declarou Khan, criticando panfletos da campanha pela saída da UE que alertavam que a Turquia, de maioria muçulmana, pode aderir à União Europeia. "Isso é alarmismo, Boris, e você deveria ter vergonha. Vocês estão usando a Turquia para fazer as pessoas votar pelo 'Leave' (Deixe, em tradução livre)", disse Khan.

Johnson retrucou afirmando que a campanha pró-UE conduziu o seu próprio "projeto do medo" ao advertir a população britânica que deixar o bloco europeu de 28 membros prejudicaria a economia do Reino Unido. "Eles dizem que não temos escolha senão se curvar a Bruxelas. Nós dizemos que eles estão lamentavelmente subestimando este país e o que ele pode fazer", defendeu Johnson.

O ex-prefeito conservador prometeu à população um "dia da independência" na quinta-feira, caso esta vote pela saída da União Europeia. Boa parte da plateia se levantou e aplaudiu efusivamente.

A perspectiva de o Reino Unido se tornar o primeiro Estado a desertar da UE em 60 anos de história do bloco tem levantado temores de um colapso em efeito dominó no projeto europeu. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, alertou anteriormente contra "um ato de automutilação", que colocaria em risco tudo o que os europeus trabalharam em conjunto.

Antes do debate, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, advertiu que as futuras gerações herdarão uma economia prejudicada e enfraquecida se o lado favorável pela saída da UE vença o referendo e pediu aos eleitores pensar em seus filhos.

"Se votarmos pela saída, é isso. É irreversível. Vamos deixar a Europa para sempre e a próxima geração terá de viver com as conseqüências", disse Cameron. "Isso é um enorme risco para o Reino Unido, às famílias britânicas, aos empregos britânicos."

PV/afp/dpa

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