Brexit pode ter vantagens para a UE

Bernd Riegert (lpf)

Enquanto muitos aguardam a possibilidade de o Reino Unido sair da União Europeia com apreensão, em Bruxelas alguns veem tal cenário de maneira positiva. Decisões mais fáceis e mais empregos estariam entre os benefícios.

Perto do referendo que deve decidir o futuro do Reino Unido na União Europeia (UE), marcado para esta quinta-feira (22/06), os nervos estão à flor da pele. Apesar de muitos temerem as consequências de um Brexit, nos bastidores em Bruxelas, eurodeputados, funcionários das instituições do bloco e cientistas políticos afirmam que uma UE sem o Reino Unido é possível, e que isso traria até mesmo vantagens. Confira algumas delas:

Menos obstáculos

O Reino Unido ajudou a configurar a UE nos últimos 40 anos e impulsionou uma série de mudanças, afirma o eurodeputado Alexander Graf Lambsdorff. Sem os britânicos, que constantemente dizem não a projetos de lei da Comissão Europeia, algumas decisões se tornariam mais fáceis, acredita outro funcionário da UE. Sem os obstáculos britânicos no Conselho Europeu, muitos outros Estados-membros não poderiam mais se esconder atrás do grande Reino Unido. Eles precisariam tomar posição.

O especialista em UE Janis Emmanouilidis questiona se decisões no bloco realmente ficariam mais fáceis, mas fato é que muitas derrogações e o desconto nas contribuições dos países-membros concedido aos muitas vezes teimosos britânicos seriam abolidos.

Mau exemplo

A França vem se engajando para excluir os britânicos do bloco europeu o mais rápido possível, se eles realmente quiserem sair. Na opinião de diplomatas franceses, é preciso que a saída realmente doa, para que outros Estados eurocéticos não sigam o exemplo britânico. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, também não demonstra clemência perante o desertor.

"Precisamos combater as forças centrífugas e mostrar que realmente vamos sofrer as consequências de um Brexit", afirma a deputada francesa Elisabeth Guigou. Populistas de direita - como Marine Le Pen, na França, e Geert Wilders, na Holanda -, que querem dissolver a UE, devem ser dissuadidos, diz a parlamentar.

Exército europeu

O Reino Unido bombardeou todas as tentativas até o momento de criar um Exército da UE independente e missões militares sem a participação da Otan. Estrategistas militares poderiam se alegrar com o fim dos obstáculos impostos pelos britânicos. Também os países que defendem mais protecionismo, a intervenção estatal em questões econômicas e uma política orçamentária menos rígida poderiam ficar felizes com o fato de Londres não se meter mais nesses assuntos.

Mais empregos

Ao menos no longo prazo, cidadãos britânicos deixariam seus postos de trabalho na Comissão Europeia, no Parlamento Europeu, no Tribunal de Justiça da União Europeia, no Tribunal de Contas Europeu, no Comitê Econômico e Social Europeu e em muitas outras instituições. Isso significaria milhares de vagas.

O Reino Unido tem hoje menos funcionários em Bruxelas do que a Grécia, país bem menor, mas um número relativamente alto de diretores e executivos. A troca de pessoal, no entanto, levaria muitos anos, pois os contratos de trabalho não seriam encerrados automaticamente com a saída do Reino Unido da UE.

Mais francês

Há 15 anos, o francês ainda era a língua que mais se ouvia nos corredores das instituições europeias. Um comissário da UE que não falasse francês fluentemente era algo impensável. Com a adesão dos Estados do Leste Europeu, o cenário mudou. De repente, o inglês se tornou o principal idioma da UE. O alemão também perdeu importância.

Se o maior país de língua inglesa sair do bloco, pode ser que o francês volte a ganhar espaço. Institutos de língua francesa e especialistas em estudos culturais aguardam tal hipótese com ansiedade. No entanto, na prática nada mudaria no trabalho dos intérpretes da UE. O inglês continuaria sendo a língua oficial do bloco, porque a Irlanda, além do gaélico irlandês, e Malta, além do maltês, adotam o inglês como língua nacional.

Menos irritação

Os eurodeputados britânicos contrários à UE desapareceriam do Parlamento Europeu. Para europeus convictos, os devaneios de alguns conservadores britânicos e os ataques do Partido da Independência do Reino Unido (Ukip) foram particularmente irritantes. O líder da legenda, Nigel Farage, é um bom orador em termos técnicos. "Mas não vamos sentir falta das baboseiras que ele inventou", disse um deputado social-democrata, em anonimato.

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