Governo francês volta atrás e autoriza protesto em Paris

Horas depois de proibir marcha contra reforma trabalhista na capital, governo volta atrás e autoriza manifestação promovida por sindicatos e estudantes. Se mantida, proibição seria a primeira desde os anos 1960.

Após a polícia proibir um protesto contra a reforma trabalhista em Paris, o governo francês voltou atrás nesta quarta-feira (22/06) e autorizou a realização da marcha marcada por sindicatos para esta quinta-feira.

"Depois de conversas difíceis com o ministro do Interior, sindicatos e organizações estudantis obtiveram o direito de protestar em Paris no dia 23 de junho por um percurso proposto pelo ministro", disse o líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Philippe Martinez, afirmando que a autorização é uma vitória para a democracia.

Martinez fez o anúncio depois de discussões tensas com o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. Os manifestantes percorrerão cerca de 1,5 quilômetro pelas ruas da capital num percurso pré-determinado nas proximidades da praça da Bastilha.

Se tivesse sido mantida, a proibição seria a primeira em décadas. Em 1962, um desfile pela paz na Argélia, organizado pelo Partido Comunista e com a participação da CGT, foi proibido e duramente reprimido, resultando na morte de nove pessoas.

A ameaça da proibição era evocada há vários dias pelo presidente François Hollande e pelo primeiro-ministro Manuel Valls, na sequência dos incidentes violentos à margem de uma manifestação no dia 14 de junho, também em Paris. Na ocasião, quarenta pessoas ficaram feridas, entre as quais 29 policias, e 44 foram detidas.

A marcha desta quinta-feira será a décima em Paris desde o início, em março, de uma série de protestos e greves em toda a França. Os manifestantes são contra a reforma trabalhista de Valls e alegam que a mudança ameaça os direitos dos trabalhadores, beneficia apenas empresários e mantém a precariedade no mercado de trabalho.

Na manhã desta quarta-feira, a polícia havia anunciado a proibição da marcha na capital francesa, alegando não ter condições de garantir a segurança do evento. O anúncio causou indignação entre políticos da oposição e elevou a tensão no Partido Socialista, que se mostra dividido em relação às reformas.

A ação de sindicatos e estudantes ocorre em meio à Eurocopa 2016, e críticos afirmam que ela têm prejudicado a imagem do país entre os visitantes.

CN/rtr/afp/lusa

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