Polícia proíbe protesto contra reforma trabalhista em Paris

Depois de violência em protestos recentes, autoridades não autorizam marcha organizada por sindicatos pela capital francesa. Polícia alega não ter condições de garantir segurança.

A polícia proibiu nesta quarta-feira (22/06) a realização do protesto de sindicatos contra a polêmica reforma trabalhista em Paris, planejado para acontecer na quinta-feira. Autoridades alegaram que não poderiam garantir a segurança, após marchas semelhantes terminarem em confrontos entre manifestantes e policiais.

Em comunicado, a polícia informou ainda estar sobrecarregados com a demanda de reforços exigida pela Eurocopa e pela a ameaça de terrorismo.

A decisão foi criticada por políticos da oposição e sindicatos que exigiram uma reunião de emergência com o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, para tratar do assunto. A líder do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, afirmou que a proibição é uma grave violação à democracia.

A marcha da quinta-feira faria parte de uma série de protestos e greves que acontecem em toda a França desde março e seria décima realizada em Paris. Os manifestantes são contra a reforma trabalhista, promovida pelo presidente François Hollande e alegam que a mudança ameaça os direitos dos trabalhadores, beneficia apenas empresários e mantém a precariedade no mercado de trabalho.

A revolta dos manifestantes se deve ao fato de que a mudança da legislação tornará as contratações e demissões mais simples. A proposta é uma das bandeiras de Hollande, assolado por índices de popularidade que ameaçam sua reeleição em maio de 2017.

Alguns desses protestos terminaram em violência, como o da semana passada em Paris, no qual cerca de 40 pessoas ficaram feridas, após um confronto entre manifestantes e a polícia.

Em comunicado, a polícia lembrou ainda que autoridades pediram que os sindicatos organizassem um comício fixo e não uma marcha pela cidade. Com a recusa, alegou que não teve alternativa a não ser proibir o protesto.

Os protestos e greves acontecem em meio à Eurocopa e têm prejudicado a imagem do país entre os visitantes. O governo francês disse nesta semana que só permitiria um comício fixo em Paris, alegando, para a proposta, a tentativa de conter a violência.

CN/afp/ap/rtr

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