Com virada, País de Gales elimina a Bélgica

Philip Verminnen

Seleção galeses aproveita defesa belga desfalcada e alcança classificação inédita à semifinal da Eurocopa 2016. A qualidade individual dos Diabos Vermelhos não foi páreo ao futebol coletivo galês.

Com um sistema defensivo quase completamente desfalcado, a Bélgica não fez jus ao seu favoritismo e sucumbiu para o País de Gales, nesta sexta-feira (1º/07), em Lille. A merecida vitória galesa, por 3 a 1, foi construída com gols do capitão Ashley Williams, do centroavante Hal Robson-Kanu e Sam Vokes. O gol belga foi do volante Radja Nainggolan.

O primeiro tempo teve duas partes completamente distintas. Nos minutos iniciais, domínio absoluto da Bélgica. Aos sete minutos, os Diabos Vermelhos não abriram o marcador por um milagre. Romelu Lukaku cruzou da esquerda para Yannick Ferreira-Carrasco, que parou da defesa do goleiro Wayne Hennessey. No rebote, a finalização de Thomas Meunier foi salva pela defesa galesa em cima da linha. A bola então sobrou para Eden Hazard, que teve seu chute desviado para escanteio.

A pressão inicial, porém, surtiu efeito aos 13 minutos, quando o volante Radja Nainggolan acertou um petardo indefensável de longa distância. Golaço em Lille. O segundo de Nainggolan nesta Eurocopa.

Galeses aproveitam falhas infantis da defesa belga

Inexplicavelmente, a Bélgica adotou então uma postura passiva em campo. País de Gales começou a criar boas ações ofensivas, usufruindo da desestabilização da defesa belga - o treinador Marc Wilmots teve que escalar um sistema defensivo quase inteiro reserva. Apenas Toby Alderweireld faz parte da linha de quatro titular - o capitão Vincent Kompany (contundido) nem foi à Eurocopa, Thomas Vermaelen suspenso e Jan Vertonghen lesionou o tornozelo.

O lado esquerdo, defendido por Jordan Lukaku, irmão do atacante do Everton, era o setor mais frágil. Aaron Ramsey e Neil Taylor deitaram e rolaram nesta defesa inédita da Bélgica. Aos 25 minutos, Taylor exigiu uma defesa espetacular de Thibaut Courtois.

Aos 30 minutos, veio o inevitável empate galês. Ramsey cobrou escanteio e o capitão Ashley Williams aproveitou o mau posicionamento belga na grande área e cabeceou no canto esquerdo de Courtois. O domínio galês quase resultou na virada ainda no primeiro tempo, mas o goleiro belga espalmou finalização de Gareth Bale, aos 33 minutos.

País de Gales foi superior num primeiro tempo bastante movimentado e que teve em Ramsey seu principal destaque.

Para a segunda etapa, Wilmots reagiu e colocou Marouane Fellaini no lugar de Ferreira-Carrasco. Objetivo: retomar o controle do meio-campo, já que a Bélgica perdeu muitas disputas de bola e teve um baixo porcentual de bolas recuperadas na zona central de jogo.

Num primeiro momento, a mudança surtiu efeito. Com mais posse de bola, a Bélgica cadenciou a partida e procurava chegar à meta adversária com jogadas mais trabalhadas. Aos três minutos, Lukaku desperdiçou ótima oportunidade cabeceando rente à trave, de dentro da pequena área. Aos quatro, Hazard puxou na diagonal e arriscou - outro susto para Hennssey.

Mas Wilmots não conseguiu consertar o desastroso desempenho defensivo. Aos nove minutos, Ramsey recebeu longo lançamento de Bale e cruzou para Hal Robson-Kanu, que tirou três zagueiros da jogada com uma finta simples e fuzilou Courtois: 2 a 1 País de Gales.

Os galeses conseguiram então domar, com certa facilidade, o poderoso ataque belga. Hazard até tentou buscar uma maior movimentação, Lukaku tentou receber a bola saindo da área e até Fellaini apareceu como elemento surpresa.

Mas foi País de Gales que voltou a balançar as redes. E novamente graças a uma grave desatenção da defesa belga. Chris Gunter teve muito espaço e tempo para cruzar a bola, na medida, para Sam Vokes, que estava em campo há apenas alguns segundos: 3 a 1.

Vitória merecida de uma seleção de jogou como equipe, coletivamente, contra uma Bélgica sem intensidade, com muitos talentos individuais, mas que tiveram apenas lampejos do que são capazes nesta Eurocopa. Os desfalques defensivos são um fator que levaram a derrocada belga, mas a falta de coragem e a falta de variações táticas de Wilmots podem ser adicionados ao fracasso dos Diabos Vermelhos.

País de Gales alcançou o maior feito da história do país no futebol. Com a inédita classificação à semifinal, os galeses enfrentam agora a seleção de Portugal, na quarta-feira, em Lyon, por uma vaga na final da Eurocopa 2016. A seleção galesa, porém, não poderá contar com seu camisa 10 Aaron Ramsey, suspenso por acúmulo de cartões amarelos.

Ficha técnica

País de Gales 3 x 1 Bélgica

Local: Stade Pierre Mauroy, em Lille

Arbitragem: Damir Skomina (Eslovênia), auxiliado por seus compatriotas Jure Praprotnik e Robert Vukan.

Gols: Radja Nainggolan (13'/1T), Ashley Williams (30'/1T), Hal Robson-Kanu (09'/2T) e Sam Vokes (40'/2T)

Cartões amarelos: Ben Davies (5'/1T), James Chester (16'/1T), Chris Gunter (24'/1T), Marouane Fellaini (14'/2T), Aaron Ramsey (29'/2T), Toby Alderweireld (40'/2T)

País de Gales: Wayne Hennessey; James Chester, Ashley Williams, Ben Davies; Joe Ledley (Andy King 33'/2T), Joe Allen, Aaron Ramsey (James Collins 45'/2T), Neil Taylor e Chris Gunter; Gareth Bale e Hal Robson-Kanu (Sam Vokes 34'/2T). Técnico: Chris Coleman.

Bélgica: Thibaut Courtois; Thomas Meunier, Toby Alderweireld, Jason Denayer e Jordan Lukaku (Dries Mertens 30'/2T); Radja Nainggolan e Axel Witsel; Yannick Ferreira-Carrasco (Marouane Fellaini 1'/2T), Kevin De Bruyne e Eden Hazard; Romelu Lukaku (Michy Batshuayi 37'/2T). Técnico: Marc Wilmots.

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