"Ciao, Itália!": imprensa alemã celebra fim da maldição no futebol

Philip Verminnen

Jornais estampam primeiro triunfo da Alemanha sobre a 'Squadra Azzurra' num jogo oficial, mas também citam o fator sorte. Diários italianos destacam espírito de luta e fato de que eliminação veio "somente" nos pênaltis.

No dia seguinte à dramática decisão por pênaltis nas quartas de final da Eurocopa, com a Alemanha eliminando a Itália após 18 cobranças, a imprensa alemã enalteceu a quebra do tabu histórico de a Nationalelf nunca ter superado a Squadra Azzurra. As manchetes dos principais jornais alemães celebraram "o fim do trauma da Itália", sem deixar de reconhecer, no entanto, que a equipe comandada por Joachim Löw também teve a sorte ao seu lado.

"Com vitória no drama dos pênaltis, encerrou-se o trauma", estampou o diário Frankfurter Allgemeine Zeitung em sua manchete. "A história do futebol entre Alemanha e Itália teve mais um capítulo dramático: as quartas de final da Eurocopa foram decididas após 18 cobranças de pênalti. [Jonas] Hector converteu a cobrança decisiva. A Alemanha segue na competição apesar de três cobranças desperdiçadas", resumiu o jornal.

Em sua análise, o Frankfurter Allgemeine Zeitung assumiu que a decisão por pênaltis foi também uma questão de sorte, destacando que "os alemães foram vencedores afortunados, mas também merecedores, porque fizeram muito mais durante a partida, apesar de não terem conseguido se impor".

A última vez que a seleção alemã perdeu uma disputa de pênaltis foi em 1976, justamente na final da Eurocopa daquele ano. Com a cobrança desperdiçada de Uli Hoeness - mais famoso, recentemente, pelo mandato como presidente do Bayern de Munique e pela detenção por crimes fiscais - a Tchecoslováquia levantou a taça.

E desde 1982, a Alemanha tinha desperdiçado somente duas cobranças em decisões por pênaltis. No drama de Bordeaux, no sábado, foram logo três: Thomas Müller, que segue sem marcar em Eurocopas, Mesut Özil, com seu segundo erro da marca da cal neste torneio, e Bastian Schweinsteiger, que podia ter decidido o duelo.

"Fim da maldição"

A revista Der Spiegel também destacou o fim do tabu contra a Itália. Sua manchete: "Finito". "Trauma superado, alegria sem limite. A Mannschaft mostrou uma humildade semelhante à da Copa do Mundo de 2014 no Brasil", escreveu a revista. Humildade essa que faltou ao diário Süddeutsche Zeitung: "Essa disputa por pênaltis permanecerá na história. Também porque, no final, nasceu um novo herói alemão na Eurocopa", celebrou. "Fora da Eurocopa. Ciao Itália."

"Sim, sim, sim. O herói Hector quebra a maldição da Itália", estampou o tabloide alemão Bild. "Quatro partidas eliminatórias em Copas do Mundo e Eurocopas foram perdidas para a Itália. Há 46 anos se falava na Alemanha de uma maldição italiana no futebol. Até Jonas Hector converter a cobrança decisiva", publicou o Bild.

Após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação, a vitória nos pênaltis, por fim, foi o primeiro triunfo da Alemanha contra a Itália num grande torneio. Ao todo foram nove confrontos, sendo cinco num mata-mata e quatro numa fase de grupos.

A celebração para a classificação heróica é justificável, mas fato é que a Alemanha segue sem derrotar a seleção italiana num jogo oficial com a bola rolando. O retrospecto atualizado: cinco empates (com o 1 a 1, em Bordeaux, nesta Eurocopa) e quatro vitórias italianas (uma delas na final do Mundial de 1982).

Espírito de luta italiano

Na Itália, a imprensa esportiva enalteceu o espírito de luta dos "ragazzi" e lembrou que a Itália contou com vários desfalques e foi eliminado pelos atuais campeões mundiais "somente" nos pênaltis.

"Levantem a cabeça. Após 18 penalidades, desta vez ganhou a Alemanha. Uma Itália inexpugnável força os campeões mundiais até os pênaltis. Estamos fora. Mas são heróis, mesmo assim! Os alemães quebram a maldição, mas somente nos pênaltis", escreveu a Gazzetta dello Sport, lembrando que os atletas demonstraram "um grande coração" pela Itália.

"Realmente dói ter que dizer adeus à Eurocopa, mas a campanha da Itália no torneio ultrapassou significativamente as expectativas, especialmente se levarmos em conta uma série de jogadores lesionados", afirmou o jornal Tuttosport, lembrando as ausências importantes no meio-campo da Squadra Azzura: Daniele De Rossi, Antonio Candreva, Claudio Marchisio, Riccardo Montolivo e Marco Verratti, para citar alguns.

"Grande Itália. Coração e orgulho, a seleção nacional esteve muito perto de um feito heróico contra os campeões do mundo. Somente os pênaltis conseguiram nos deter. Um jogo difícil, tenso e complicado taticamente para a Azzurra, que conseguiu segurar bem os campeões mundiais", publicou o Corriere dello Sport.

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