Joachim Löw à procura do time titular

Philip Verminnen

Com três desfalques e incertezas, treinador tem problemas para escalar a seleção alemã para a semifinal contra a França. Qual esquema tático? Quais substitutos? De olho no passado, garante: "Não cometerei o mesmo erro".

Com três desfalques confirmados e muitas dúvidas, o treinador da Alemanha, Joachim Löw, terá de ser bastante inventivo para definir o time titular que entrará em campo, na quinta-feira, em Marselha, na semifinal da Eurocopa 2016 contra a anfitriã França.

As ausências confirmadas são o centroavante Mario Gómez, que com um estiramento muscular na região posterior da coxa direita está fora da Eurocopa, o volante Sami Khedira, que não se recuperará a tempo de uma contratura muscular na coxa esquerda, e o zagueiro Mats Hummels, suspenso pelo acúmulo de dois cartões amarelos.

"É muito decepcionante quando há desfalques importantes na fase crucial do torneio. Eu sinto muito, especialmente por Mario [Gómez]", disse Löw, garantindo, no entanto, que o departamento médico da seleção alemã está trabalhando a todo vapor para recuperar Khedira. "Faremos de tudo para que ele esteja à disposição para uma possível final."

Os três atletas são desfalques consideráveis na equipe de Löw. Hummels é o xerife da defesa, Khedira o cão de guarda do sistema de marcação e a entrada de Gómez no time titular deu maior eficiência ao ataque da Nationalelf, setor fortemente criticado pela imprensa esportiva alemã no início do torneio.

Além disso, o substituto direito de Khedira, Bastian Schweinsteiger, é dúvida: o capitão da equipe sofreu uma pancada na parte interior do joelho direito e teve diagnosticado uma entorse no ligamento colateral lateral. Há também preocupações com Jérôme Boateng, cuja escalação já era dúvida para o duelo contra a Itália, que voltou a sentir dores na panturrilha durante a dramática classificação, em Bordeaux.

Löw: "Não cometerei o mesmo erro"

"Jogadores que estão lesionados, que não estão 100%, definitivamente não jogarão. Este erro cometemos uma vez há muito anos, este erro não cometerei novamente", afirmou Löw. "Neste estágio da competição, não podemos permitir a possibilidade de termos que realizar uma substituição com 10, 15 ou 20 minutos de jogo."

O treinador alemão não quis confirmar quando o erro foi cometido. O tabloide Bild especulou que se trata da escalação de Michael Ballack na final da Eurocopa de 2008. Antes da decisão, o ex-meia sofreu com dores na panturrilha. Ele jogou mesmo assim. A Espanha se sagrou campeão com uma vitória pelo placar mínimo. "Espero e desejo que Bastian [Schweinsteiger] esteja bem fisicamente. Se não for o caso, há outros jogadores", disse Löw.

Se não for o caso, Löw terá ainda maiores dores de cabeça para achar a escalação ideal. E essa começa pela escolha do esquema tático. Contra a Itália, a Alemanha abriu mão de sua tradicional linha defensiva com quatro jogadores para espelhar o 3-5-2 da seleção italiana. Apesar da classificação, a escolha foi bastante criticada por comentaristas esportivos alemães, que lembraram outros momentos do passado (contra a própria Itália, na Eurocopa de 2012, por exemplo) em que a Nationalelf abdicou de seu sistema de jogo para se adequar, sem sucesso, à tática do adversário.

Três ou quatro na linha defensiva? Única certeza: Höwedes joga

Independente do esquema tático, Löw mandará a campo uma linha defensiva que nunca atuou junta. Com três defensores, a última linha poderia ser composta por Boateng, Benedikt Höwedes e Shkodran Mustafi. Com quatro defensores, Höwedes atuaria como zagueiro-central ao lado de Boateng com Jonas Hector e Joshua Kimmich pelas laterais.

A escolha de Löw tem de se basear em dois pontos: se Schweinsteiger poderá atuar e qual, na sua análise, será o esquema tático adotado pelo adversário. Nesta Eurocopa, a França atuou tanto num 4-2-3-1 como num clássico 4-3-3. Fato é que a seleção francesa demonstrou forte jogo aéreo (cinco gols de cabeça é recorde numa edição de Eurocopa), mas também um jogo mais centralizado, devido aos estilos de jogo de Paul Pogba, Dimitri Payet e Antoine Griezmann.

Quem substitui Khedira e, provavelmente, Schweinsteiger?

A teoria lógica para prevenir o jogo aéreo e proteger a área central em frente à grande área seria Löw voltar a utilizar o 3-5-2 (variável num 5-4-1, sem a posse de bola). Mas caso se confirme a ausência de Schweinsteiger, há apenas duas opções para compor o meio-campo: Emre Can, do Liverpool, e o jovem Julian Weigl, do Borussia Dortmund. Os dois, porém, somam apenas 438 minutos pela seleção alemã - Weigl apenas 45 minutos, num amistoso.

A vantagem do 3-5-2 em relação ao esquema favorito de Löw, o 4-2-3-1, é que neste esquema os alas Hector e Kimmich prendem os laterais franceses Bacary Sagna e Patrice Evra, congestionam as laterais do meio-campo, além de obrigar Griezmann e Payet a trabalharem mais defensivamente. A desvantagem? Além da falta de entrosamento, há um risco maior de perder a maioridade numérica caso a França opte por entrar com três atacantes.

E ainda tem a questão no ataque. Com as recentes atuações, Mario Götze perdeu credibilidade. A posição de Gómez pode ser ocupada por Thomas Müller, cuja posição no meio deve ser herdada por Julian Draxler. Mais provável, no entanto, que ambos estejam no time titular. O jogo de xadrez entre Löw e Didier Deschamps começou.

Possíveis escalações:

4-2-3-1

Manuel Neuer; Joshua Kimmich, Jérôme Boateng, Benedikt Höwedes e Jonas Hector; Bastian Schweinsteiger (Emre Can ou Julian Weigl) e Toni Kroos; Mesut Özil, Thomas Müller e Julian Draxler; Mario Götze.

3-5-2

Manuel Neuer; Benedikt Höwedes, Jérôme Boateng e Shkodran Mustafi; Joshua Kimmich, Toni Kroos, Mesut Özil, Julian Draxler e Jonas Hector; Thomas Müller e Mario Götze.

3-5-2 com Bastian Schweinsteiger

Manuel Neuer; Benedikt Höwedes, Jérôme Boateng e Shkodran Mustafi; Joshua Kimmich, Bastian Schweinsteiger, Toni Kroos, Mesut Özil e Jonas Hector; Julian Draxler e Thomas Müller.

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