Vaticano absolve jornalistas em escândalo Vatileaks 2

Tribunal da cidade-Estado, porém, condena monsenhor espanhol por participação no vazamento de documentos confidenciais da Igreja Católica. Ato é considerado crime pela Justiça vaticana.

Um tribunal do Vaticano absolveu, nesta quinta-feira (07/07), dois jornalistas investigativos italianos que publicaram informações vazadas sobre a Igreja Católica. No entanto, dois de três funcionários do Vaticano foram condenado no julgamento, apelidado de Vatileaks 2, por seus papéis no vazamento de material confidencial.

Os juízes do Vaticano determinaram que eles não possuem a autoridade para examinar o caso dos jornalistas Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, pois eles não cometeram um crime em território da cidade-Estado.

"Hoje é um dia histórico. Esta é a base da democracia, a liberdade de imprensa", disse Nuzzi, do lado de fora da corte do Vaticano. "Nós fomos indiciados porque fizemos bem o nosso trabalho de jornalistas", declarou Nuzzi. "O Vaticano foi corajoso", considerou por sua vez Fittipaldi pouco após o anúncio do veredicto.

Nuzzi e Fittipaldi enfrentavam até oito anos de prisão por publicar dois livros, Via Crucis e Avarizia, que documentam a má gestão financeira, a ganância e a vida de luxo de alguns cardeais da Igreja Católica Romana.

Os livros citam e-mails, atas de reuniões, conversas privadas gravadas e notas que demonstram o excesso de burocracia, a má gestão, o desperdício e os gastos milionários com aluguéis. Segundo a imprensa italiana, as obras revelam sobretudo a oposição interna às reformas financeiras do papa Francisco.

Autoridades do Vaticano condenados

Três outras pessoas também foram a julgamento por seus envolvimentos com a comissão da qual eram os documentos vazados. O monsenhor espanhol Lucio Vallejo Balda admitiu repassar documentos secretos e recebeu uma pena de 18 meses de prisão. Seu assistente, Nicola Maio, foi absolvido.

A especialista italiana em relações públicas Francesca Chaouqui, que tem um filho de três semanas de idade, foi condenada a 10 meses de liberdade condicional. Autoridades especulam que ela teria instigado os vazamentos.

O julgamento começou em novembro, depois da detenção do monsenhor Balda e da acusação contra Chaouqui de ter vazado documentos confidenciais para a imprensa. O ato é considerado crime pela Justiça vaticana.

O Vaticano não negou a veracidade dos documentos e transgressões dentro da Igreja, mas disse que os problemas são antigo e foram resolvidos por meio de reformas executadas pelo papa Francisco.

Vatileaks têm seu primeiro caso em 2012

O escândalo em torno dos livros foi apelidado de Vatileaks 2 devido à sua semelhança com o primeiro caso Vatilkeas, que foi desencadeado em 2012 por outra publicação de Nuzzi, também com base em documentos vazados do Vaticano.

Nuzzi não foi julgado em 2012, mas seu informante principal, Paolo Gabriele, um mordomo do então papa Bento 16, foi condenado a 18 meses de prisão. Ele foi perdoado pouco tempo depois.

Aquele escândalo supostamente contribuiu para a decisão de Bento 16 de se aposentar em 2013. O papa Francisco, seu sucessor, aprovou uma nova lei punindo o vazamento de segredos de Estado do Vaticano.

PV/afp/dpa/rtr

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