Opinião: Otan envia sinal de unidade com cúpula

Peter Sturm (md)

Em Varsóvia, aliança reforçará compromisso com segurança de Estados-membros. Mensagem é endereçada à Rússia, mas também aos membros do Leste Europeu, opina o jornalista Peter Sturm, do "Frankfurter Allgemeine Zeitung".

O confronto de dois blocos é, felizmente, coisa do passado. Se hoje em dia pessoas na Europa Ocidental se sentem ameaçadas por alguém, então esse alguém é, quase certamente, um terrorista islâmico.

Muitos jovens de hoje não podem imaginar como era na época da Guerra Fria. Então não devemos culpá-los quando reagem com ligeiro estranhamento quando cidadãos da Polônia e dos Estados bálticos falam sobre ameaças à segurança deles. Na Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia ainda está viva a consciência - e também entre os mais jovens - de se ter um vizinho grande e potencialmente ameaçador: a Rússia.

Isso pode ser considerado um exagero. Mas quem mantém os olhos abertos não pode ignorar que há vários anos a Rússia tem feito muito para consolidar sua má reputação entre os países do Leste Europeu.

O temor foi reaceso em 2008, quando a Rússia tomou partes do território da Geórgia numa breve campanha bélica. As preocupações cresceram quando ficou claro que a Rússia não tinha por que temer quaisquer consequências graves. E tudo ficou pior ainda com o conflito na Ucrânia, país que a Rússia desestabilizou por inteiro através de ações militares.

É por isso que fazer parte da Otan é tão importante para muitos dos antigos Estados satélites da União Soviética e para as suas populações. O tratado da Otan lhes garante o apoio de todos os Estados-membros no caso de um ataque. Essa promessa de assistência é hoje mais importante do que nunca. Pois, por exemplo, os países bálticos foram, nos últimos anos, várias vezes vítimas de ataques cibernéticos, cuja origem foi localizada na Rússia.

Ao se reunirem em sua cúpula em Varsóvia, os líderes dos países da Otan visam enviar uma mensagem de unidade. O destinatário mais importante desta mensagem é, naturalmente, o presidente russo, Vladimir Putin. Mas também os povos dos países do leste da aliança precisam desse gesto de confirmação. E isso não tem nada que ver com um "brandir de espadas", como o ministro do Exterior alemão disse recentemente ter ouvido do lado ocidental.

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