Protesto pacífico termina em massacre em Dallas

Franco-atiradores fazem emboscada e abrem fogo contra policiais durante ato contra morte de dois negros nos EUA. Cinco são mortos e seis feridos, no incidente mais mortal para a polícia americana desde o 11 de Setembro.

Um protesto pacífico contra a recente morte de dois homens negros pelas forças de segurança americanas terminou na noite desta quinta-feira (08/07) em tragédia, quando franco-atiradores abriram fogo durante a manifestação, matando cinco policiais e deixando outros sete feridos.

A polícia descreveu o ataque como uma emboscada cuidadosamente planejada e executada contra as forças de segurança. Três pessoas foram presas, e um quarto suspeito foi morto por um explosivo lançado pela polícia, após cerca de uma hora entrincheirado num estacionamento.

Antes de ser atingido, o atirador teria dito que queria vingar a morte dos dois homens negros e assassinar policiais brancos. O ataque foi um dos piores contra policiais na história dos Estados Unidos - o incidente mais mortal para as forças de segurança desde o 11 de Setembro.

O chefe da polícia de Dallas, David Brown, disse que os atiradores, alguns em posições altas, usaram rifles de alta precisão para atirar contra as forças de segurança, no que aparentava ser um ataque coordenado.

"Eles estavam trabalhando juntos, armados com fuzis, triangulando em posições elevadas em diferentes pontos da área onde a manifestação ocorria", disse Brown em entrevista coletiva.

O uso de força pela polícia contra a comunidade negra em cidades como Ferguson, Baltimore e Nova York gerou uma série de protestos nos últimos dois anos - muitas vezes violentos - e deu origem ao movimento Black Lives Matter (vidas negras importam).

Vídeos geraram indignação

Dois vídeos que supostamente mostram a morte de homens negros por policiais nos EUA circularam na internet, gerando uma nova onda de protestos contra violência policial.

Um deles foi postado pela namorada de Philando Castile, de 32 anos, nesta quinta. O casal foi parado no trânsito pela polícia. "Ele estava tentando tirar a identidade e a carteira do bolso", conta Lavish Reynolds. "Ele informou o policial que tinha uma arma de fogo e que estava pegando a carteira, e o policial atirou no braço dele."

Segundo Reynolds, foram vários disparos. "Por favor, meu Deus, não me diga que ele está morto. Por favor, policial, não me diga que o senhor fez isso com ele", diz a mulher. O vídeo motivou manifestações nas ruas de Falcon Heights, no estado de Minnesota.

O incidente ocorreu horas depois de o Departamento de Justiça dos EUA anunciar a abertura de um inquérito para investigar dois policiais que teriam matado um negro em Baton Rouge, capital do estado de Louisiana, na noite de terça. Centenas de pessoas se reuniram na cidade para protestar.

Obama: "Todos devem se preocupar"

Os EUA voltaram a viver jornadas de protesto em diversas cidades após as mortes dos dois homens em ações da polícia. Em Varsóvia, onde participa da cúpula da Otan, Obama disse que a violência policial contra negros deve preocupar todos os americanos.

"Quando ocorrem incidentes como estes, há pessoas que sentem que não devem tratá-los igual por causa da cor da pele. Esta não é uma questão branca, não é uma questão latina, é uma questão americana", declarou.

Segundo Obama, os dois episódios são "sintomáticos de um cenário maior de disparidades raciais que existem no sistema de justiça criminal". O presidente americano citou estatísticas que apontam para uma desproporção no número de detenções e condenações de negros em comparação com brancos no país.

Obama disse que é necessário dar um "sentido de urgência" para a questãoda reformas da polícia nos EUA por considerar que, até o momento, "a mudança foi lenta demais".

KG/efe/ap

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