População mundial cresce às custas das adolescentes

Jeanette Cwienk (ca)

Nos países em desenvolvimento, um quinto das menores de 18 anos é mãe. Essas adolescentes esquecidas são o tema do Dia Mundial da População, pois conter a explosão demográfica implica melhorar as condições de vida delas.

A cada segundo a população mundial ganha 2,6 habitantes. De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), em 15 anos os atuais 7,3 bilhões que habitam o planeta vão se transformar em 8,5 bilhões, e em 2100 o número chegará a 11,2 bilhões.

Esse quadro poderia ser mudado por meio de melhores condições de vida para mulheres e adolescentes. Por esse motivo, o Dia Mundial da População, celebrado nesta segunda-feira (11/07), volta sua atenção para essas jovens, com o lema Investindo em meninas adolescentes por um mundo mais justo, estável e pacífico.

O slogan foi adotado por diversas organizações de ajuda humanitária, que também veem na melhoria das perspectivas para as jovens uma das principais formas de conter a explosão populacional.

Com a criação do Dia Mundial da População, as Nações Unidas tentam, desde 1989, chamar a atenção mundial para os problemas ligados ao crescimento demográfico, assim como fortalecer os direitos das mães e melhorar sua saúde.

Sem acesso à contracepção

O crescimento populacional é particularmente acentuado em países em desenvolvimento, em parte devido à gravidez indesejada. "Todos os anos, por volta de 74 milhões de adolescentes e mulheres engravidam contra a vontade em países em desenvolvimento, principalmente devido à falta de esclarecimento e acesso a métodos contraceptivos, e também porque essas mulheres e meninas não contam com igualdade de direitos", afirma Renate Bähr, diretora da Fundação da População Mundial, sediada em Hannover.

Segundo a especialista, mais de 220 milhões de mulheres e meninas não puderam usar métodos contraceptivos, embora o quisessem. As principais razões seriam a falta de igualdade de direitos, de oportunidades educacionais e de opções de contracepção.

As jovens de muitos países em desenvolvimento nunca tiveram acesso a esclarecimento e contracepção, o que resulta no número ainda elevado de adolescentes grávidas em todo o mundo.

No Brasil, a taxa de nascimentos para cada mil adolescentes entre 16 e 19 anos diminuiu de 92 para 67 entre 1960 e 2014. No Níger, porém, o alto nível de 205 continua inalterado desde 1960. Na Somália, a cifra até aumentou: de 55 para 105 nascimentos entre cada mil adolescentes.

Planejamento familiar, nem pensar

Leoni Müssig, da Fundação da População Mundial, lembra que "muitas vezes as meninas não estão fisicamente desenvolvidas para enfrentar uma gravidez sem complicações". Assim, nos países em desenvolvimento, as complicações durante a gestação e o parto são a segunda causa de morte das jovens entre 15 e 19 anos.

Números recentes da ONU mostram que pequenas diferenças no número médio de filhos por mulher já podem ter um impacto significativo sobre as tendências demográficas globais. Se a taxa de fecundidade permanecer no nível atual de 2,5 filhos por mulher até 2100, a população humana cresceria para 26 bilhões na virada do próximo século.

Numa variante média do cálculo, as Nações Unidas acreditam que, em 2100, a taxa de fecundidade cairá para 2 filhos por mulher. Portanto, até essa data, a população mundial aumentaria para 11,2 bilhões. Considerando uma redução estatística de 0,5 filho por mulher, em 2100 haveria apenas 7,3 bilhões de pessoas no planeta.

Estudar em vez de amamentar

Por esse motivo os especialistas em desenvolvimento consideram extremamente importantes os investimentos em educação e esclarecimento. "Meninas e mulheres com maior nível educacional poderiam utilizar melhor seu direito à autodeterminação e planejamento familiar", esclarece Leoni Müssig.

Além disso, melhores chances no mercado de trabalho para as mulheres seriam acompanhadas por uma redução das taxas de natalidade, acrescenta a especialista da Fundação da População Mundial. "E se mais crianças sobreviverem graças a uma melhor assistência médica, os pais tenderão a optar por ter menos filhos."

Organizações de ajuda humanitária estão exigindo do governo alemão mais verbas para projetos que fomentem a saúde e os direitos reprodutivos de mulheres e adolescentes. "A elevação do orçamento de ajuda ao desenvolvimento para o ano de 2017 é um passo na direção certa", aponta a presidente da ONG Ação Agrária Alemã, Cornelia Füllkrug-Weitzel, sobre o recente aumento orçamentário do Ministério alemão da Cooperação Econômica e Desenvolvimento.

No entanto, Füllkrug-Weitzel ressalva que, dados os crescentes desafios internacionais, um aumento dos atuais 7,4 bilhões de euros para cerca de 8 bilhões seria decididamente insuficiente.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos