Presidente do Parlamento Europeu rechaça gabinete de May

Após nomeação de Boris Johnson como novo ministro do Exterior britânico, Martin Schulz diz que Reino Unido precisa quebrar "perigoso círculo vicioso". Escolhas de May fogem do interesse nacional, acusa ele.

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, fez duras críticas nesta quinta-feira (14/07) ao gabinete da nova primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmando que o Reino Unido precisa quebrar esse "perigoso círculo vicioso" que pode impactar diretamente no resto da Europa.

Schulz fez referência aos ministros recém-nomeados por May, entre eles, o ex-prefeito de Londres e líder da campanha pelo Brexit Boris Johnson, novo ministro do Exterior. Para ele, as escolhas da premiê fogem do interesse nacional e foram feitas para "resolver problemas internos do partido".

"Vamos trabalhar de forma construtiva com o novo governo britânico, assim como fizemos no passado", disse ele em comunicado. "No entanto, a composição do novo gabinete mostra que o foco está menos no futuro do país e mais na satisfação da coesão interna do Partido Conservador."

Reações à escolha

Assim como Schulz, outros políticos europeus também reagiram negativamente à nomeação de Johnson como ministro britânico. Um dos descontentes foi o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, que chamou o ex-prefeito de Londres de "irresponsável".

"As pessoas [no Reino Unido] estão experimentando um rude despertar depois que políticos irresponsáveis primeiro seduziram o país para o Brexit e depois, com a decisão já tomada, fugiram e não assumiram a responsabilidade", disse ele em discurso na Universidade de Greifswald.

Ao jornal alemão Bild am Sonntag, Steinmeier afirmou que "Johnson é um político astuto, que conseguiu usar o humor eurocético a favor de si mesmo". "Mas as tarefas políticas são agora completamente diferentes: trata-se de assumir a responsabilidade da política externa para além do Brexit", disse o ministro, destacando que o conservador precisará se adaptar as novas exigências.

Já o ministro do Exterior francês, Jean-Marc Ayrault, afirmou que seu novo homólogo britânico "mentiu muito" e que sua nomeação "revela a crise política britânica" após o referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Ele disse que não se preocupa em trabalhar com Johnson, mas expressou a necessidade de um parceiro de negociação que seja "claro, crível e confiável".

EK/afp/ap/lusa

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