Autor de ataque em Nice é formalmente identificado

Francês de origem tunisiana seria motorista de caminhão que avançou contra multidão no Dia da Bastilha. Motivos não estão claros, mas autoridades destacam presença jihadista na cidade turística no sul da França.

O motorista do caminhão que avançou contra uma multidão em Nice, no sul da França, matando ao menos 84 pessoas, foi formalmente identificado, disse uma fonte policial na manhã desta sexta-feira (15/07). Trata-se de um francês de origem tunisiana de 31 anos de idade.

O agressor não estava na lista de vigilância dos serviços de inteligência franceses, mas era conhecido pela polícia por ligação com crimes comuns, como roubos, disse o policial, citado por agências de notícias. Autoridades não divulgaram o nome do motorista, cujos documentos foram encontrados no caminhão, mas afirmaram que ele vivia em Nice.

Segundo o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, 18 pessoas estão em estado grave após o incidente em Nice na noite desta quinta-feira, durante festividades por ocasião do Dia da Bastilha, data nacional da França. Milhares de pessoas estavam reunidas na famosa avenida à beira-mar Promenade des Anglais para acompanhar a queima de fogos de artifício.

O caminhão de 25 toneladas percorreu a via logo após o fim da queima de fogos, por volta das 22h30. Segundo autoridades, o veículo trafegou por cerca de dois quilômetros, até o motorista ser morto a tiros pela polícia. Várias crianças estavam entre os mortos.

Uma testemunha disse ter pensado que o agressor estava disparando tiros enquanto dirigia. "Eu vi aquele caminhão branco enorme passando em alta velocidade", contou Suzy Wargniez, de 65 anos de idade, que assistia à queima de fogos de um café na avenida. "Estava atirando."

Cena islamista

Na manhã desta sexta-feira, o caminhão - um veículo alugado, segundo autoridades - ainda estava no local onde parou na noite anterior. Sangue e destroços estavam espalhados sobre a avenida à beira-mar. Uma autoridade local disse que dentro do caminhão foram encontradas armas e granadas.

Até a manhã de sexta-feira, nenhum grupo havia reivindicado responsabilidades pelo ataque. A polícia disse estar tentando estabelecer se o motorista tinha cúmplices na cidade, conhecida por ligação com o ativismo islamista.

Nice, com 350 mil habitantes, tem um histórico de resort aristocrático, mas também viu dezenas de seus moradores viajarem para a Síria para lutar ao lado de extremistas - caminho seguido por outros autores de atentados do "Estado Islâmico" (EI) na Europa.

"Nem o local nem a data são coincidência", disse Claude Moniquet, ex-agente da inteligência francesa e consultor de segurança, ressaltando que a presença jihadista em Nice e o fato de que o 14 de Julho marca a Revolução Francesa.

Na madrugada, o presidente da França, François Hollande, afirmou que "o caráter terrorista" do ataque com um caminhão em Nice "não pode ser negado".

Em curto pronunciamento na televisão, o chefe de Estado disse ainda que vai prorrogar por mais três meses o estado de emergência que vigora na França desde os atentados de 13 de Novembro. Horas antes ele havia dito que o estado de emergência iria terminar no próximo dia 26 de julho, depois de já ter sido prorrogado três vezes pelo Parlamento.

"A França como um todo está sendo atacada pelo terrorismo islâmico", afirmou Hollande. "Vamos mostrar a mais absoluta vigilância e determinação. Temos de fazer de tudo para lutar contra o flagelo do terrorismo."

Na manhã de sexta-feira, o primeiro-ministro, Manuel Valls, anunciou três dias de luto nacional.

LPF/rtr/afp/dpa

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