Unesco eleva Pampulha a Patrimônio da Humanidade

Carlos Albuquerque

Projetado por Oscar Niemeyer no inicio da década de 1940, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, é elevado a Patrimônio Mundial da Humanidade por comitê da Unesco reunido em Istambul.

Esta notícia deve agradar aos entusiastas da obra do grande mestre Oscar Niemeyer (1907-2012). Neste domingo (17/07), o Comitê de Patrimônio da Humanidade da Unesco, reunido em Istambul desde o última dia 10, adicionou o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, construído por Niemeyer em Belo Horizonte em 1943, à lista de Patrimônios da Humanidade.

O Conjunto da Pampulha se torna, assim, o 20° Patrimônio Mundial da Humanidade tombado pela Unesco no Brasil e o segundo relacionado a Oscar Niemeyer, já que os edifícios do Plano Piloto de Brasília também fazem parte da lista da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

Além do projeto urbanístico em torno da Lagoa da Pampulha na capital mineira, a Unesco também incluiu neste domingo a obra do arquiteto franco-suíço Le Corbusier (1887-1965) na lista de Patrimônios. A candidatura de Le Corbusier havia sido apresentada Argentina, Bélgica, França, Alemanha, Suíça, Índia e Japão.

A maioria dos 17 edifícios recolhidos pela candidatura de Le Corbusier está na França e Suíça, mas também figuram a casa Curutchet na cidade argentina de La Plata, o Museu Nacional de Tóquio, o complexo do Capitólio em Chandigarh na Índia, como também duas residências do conjunto habitacional Weißenhof, projetadas em 1927 por Le Corbusier em Stuttgart.

Além disso, a Unesco colocou em sua lista os estaleiros britânicos da ilha caribenha de Antígua, construídos em 1720, e o Parque Nacional de Khangchendzonga no norte de Índia, na encosta do monte Kanchenjunga entre Nepal e Butão.

Na sexta-feira pela tarde já tinham sido aceitos os dólmenes de Antequera na província espanhola de Málaga, o complexo da cidade armênia medieval de Ani no extremo nordeste da Turquia, o conjunto histórico de Filipi no nordeste da Grécia e, de última hora, o complexo das Cavernas de Gorham na colônia de Gibraltar, apresentado pelo Reino Unido.

Niemeyer e Pampulha

Oscar Niemeyer considerava Pampulha - um complexo de lazer em torno de um lago artificial envolvendo cassino, casa de baile, a Igreja de São Francisco, um iate clube e a residência de JK - como o início de sua arquitetura, cujos princípios ele sempre seguiu. O então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, que mais tarde construiria Brasília na condição de presidente, deu carta branca ao arquiteto.

Pampulha foi um protesto contra o racionalismo, foi ali que Niemeyer desprezou "deliberadamente o ângulo reto tão louvado e a arquitetura racionalista feita de régua e esquadro, para penetrar nesse mundo de curvas e retas que o concreto oferece", escreveu mais tarde o arquiteto brasileiro.

O reconhecimento, no mesmo dia, do projeto de Oscar Niemeyer e da obra de Le Corbusier como Patrimônios da Humanidade pela Unesco também traz outra curiosidade.

Se foi Le Corbusier quem inspirou inicialmente os arquitetos modernistas brasileiros, depois de Pampulha, ele passou a ser influenciado pela arquitetura de Niemeyer, como o próprio arquiteto brasileiro viria a afirmar mais tarde ao comentar a influência de Pampulha sobre a Capela de Ronchamp, projeto de Le Corbusier que também foi elevado a Patrimônio Mundial neste domingo.

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