Atirador de Baton Rouge era ex-militar negro que serviu no Iraque

Três policiais são mortos e outros três ficam feridos num tiroteio perto da delegacia da capital de Luisiana. Ataque guarda semelhanças com recente massacre em Dallas.

O atirador que matou três policiais em Baton Rouge, no estado americano de Luisiana, é um ex-militar negro de Kansas City (Missouri) que serviu no Iraque, afirmaram investigadores neste domingo (17/07).

Ele foi identificado como sendo o ex-fuzileiro naval Gavin Eugene Long e, segundo a imprensa americana, faria 29 anos neste domingo. O atirador feriu outros três policiais e morreu na troca de tiros com a polícia.

Long era divorciado e morava num bairro operário. Registros da polícia de Missouri mostram que ele não tinha ficha criminal. Ele serviu nas Forças Armadas americanas por cinco anos, começando em agosto de 2005, como um especialista em dados, e esteve no Iraque de junho de 2008 a janeiro de 2009.

Long recebeu várias distinções durante sua passagem pelas Forças Armadas, incluindo uma medalha por boa conduta. Nos últimos dias, ele teria publicado, no Twitter, mensagens em que convocava à resistência contra a violência policial contra negros.

Além disso, ele esteve há poucos dias em Dallas, segundo postagens dele no Twitter. Em 7 de julho, a cidade texana foi palco de um ataque semelhante, no qual cinco policiais brancos foram mortos por um atirador que também era negro e ex-militar.

O suspeito, um homem de 25 anos chamado Micah Johnson, disse à polícia, antes de ser morto numa troca de tiros, que queria matar policiais brancos para vingar os abusos das autoridades. Ele servira no Afeganistão.

Segundo a agência de notícias AFP, Long teria alterado legalmente seu nome para Cosmo Ausar Setepenra em maio de 2015. Entre os motivos para a troca, ele teria citado a declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas.

O ataque

Gavin Eugene Long matou a tiros três policiais e feriu outros três na manhã de domingo na cidade de Baton Rouge, no sul dos Estados Unidos, no que está sendo tratado como uma emboscada.

O incidente ocorreu poucos dias depois um franco-atirador negro ter matado cinco policiais brancos em Dallas, no estado vizinho do Texas, durante um protesto contra dois novos casos de violência policial contra afro-americanos, um deles registrado exatamente em Baton Rouge.

O ataque em Baton Rouge ocorreu por volta das 9h locais nos arredores da delegacia da cidade, afirmou o prefeito Melvin Holden. Os agentes policiais haviam recebido uma ligação que alertava sobre a presença de um indivíduo suspeito, armado com um fuzil, caminhando em frente à delegacia.

Quando os agentes do Departamento de Polícia de Baton Rouge e do Escritório do Xerife chegaram para atender ao chamado começou o tiroteio, o que indica que a ação pode ter sido uma emboscada.

O tiroteio aconteceu depois de vários dias de tensão na cidade devido à morte de um homem negro, Alton Sterling, por policiais, o que gerou protestos em todo o país, incluindo um em Dallas, no qual os cinco policias que faziam a segurança dos manifestantes foram assassinados.

Sterling, de 37 anos, morreu em Baton Rouge, abatido pela polícia depois de uma denúncia que alertava para um homem negro que empunhava uma arma e fazia ameaças enquanto vendia CD de música na rua.

Um dia depois Philando Castile, também negro, foi morto pela polícia em Falcon Heights, no Estado de Minnesota. As mortes, ambas filmadas, provocaram protestos populares e a denúncia de violência policial contra afro-americanos.

AS/afp/lusa/rtr

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