Investigação aponta programa estatal de doping na Rússia

Relatório denuncia que ministério do Esporte e serviço secreto conduziram programa que durou ao menos quatro anos e permitiu que atletas olímpicos competissem dopados. Apelos por exclusão russa da Rio 2016 aumentam.

A Rússia executou um programa estatal de doping que ia além do atletismo e que beneficiou atletas olímpicos ao longo de pelo menos quatro anos, constatou uma investigação da Agência Mundial Antidoping (Wada) divulgada nesta segunda-feira (18/07).

O resultado de uma comissão da Wada, divulgado em Toronto, no Canadá, mostra que "sem sombra de dúvidas" o Ministério russo do Esporte conduziu, controlou e supervisionou as manipulações.

A divulgação elevou os apelos para que a Rússia, que já teve sua equipe de atletismo banida da Rio 2016 pelo mesmo motivo, seja excluída por completo dos Jogos, que começam em menos de três semanas. O documento, porém, exime-se de fazer recomendações nesse sentido.

Os especialistas, liderados pelo jurista canadense Richard McLaren, afirmaram que o laboratório antidoping de Moscou operava para proteger os atletas russos dopados, dentro de um sistema comandado pelo Estado.

Troca de amostras

Um laboratório em Sochi executou um sistema de troca de amostras que permitiu a atletas russos dopados competirem nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014. Dezenas de atletas, incluindo 15 medalhistas, concorreram dopados, afirmou o relatório.

Segundo a investigação, o serviço secreto russo (FSB) e o centro de treinamento de atletas de ponta CSP tiveram participação ativa nas fraudes.

"O sistema foi implantado depois dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, em Vancouver, e funcionou até 2014", disse McLaren.

Segundo a investigação, as análises positivas eram entregues pessoalmente ao ministro dos Esportes da época, Yuri Nagornij, que decidia quem seria beneficiado ou não com o encobrimento. Ainda de acordo com relatório, o esquema foi uma evolução de outros existentes anteriormente.

"O sistema funcionou bem para encobrir o doping, exceto nas grandes competições internacionais. Para Sochi, os russos precisavam de uma metodologia nova, diferente. Então, o método de trocas de exames foi iniciado", garantiu.

Agência alemã pede exclusão

A investigação teve como ponto de partida acusações feitas pelo ex-chefe do laboratório antidoping de Moscou Grigory Rodchenkov. Há dois meses, ele denunciou ao jornal The New York Times que dezenas de russos usaram substâncias proibidas para obter aumento de desempenho em Sochi, com a devida aprovação de autoridades esportivas nacionais.

As descobertas do relatório aprofundam a crise que cerca atletas russos e que vêm gerando um crescente movimento pelo banimento da Rússia dos Jogos de 2016, que começam em 5 de agosto. Logo após a divulgação, a agência antidoping da Alemanha, a Nada, defendeu que a Rússia seja excluída do Rio.

No mês passado, com base em outra investigação da Wada, o Comitê Olímpico Internacional (COI) confirmou a decisão da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) de banir russos das competições da categoria nos Jogos do Rio.

AS/dpa/sid/rtr

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