Turquia afasta mais de 15 mil funcionários da Educação

Afastados são suspeitos de envolvimento com clérigo islâmico Fethullah Gülen, diz governo. Além disso, 21 mil professores da rede privada têm licença revogada, e mais de 1,5 mil reitores são forçados a renunciar.

O Ministério da Educação da Turquia afastou nesta terça-feira (19/07) 15.200 funcionários suspeitos de envolvimento com as redes de simpatizantes do clérigo islâmico Fethullah Gülen, a quem o governo turco atribui a responsabilidade pela tentativa de golpe militar da última sexta-feira.

"A partir de hoje, 15.200 funcionários públicos, tanto nas cidades como nos estados, foram suspensos do serviço e passam a ser investigados", diz uma nota publicada pela agência de notícias estatal Anadolu.

No comunicado, o ministério destaca que as suspensões estão ligadas à rede de seguidores de Gülen identificada pelo governo turco como FETÖ (sigla em turco para "organização terrorista Fethullah"), mas não fornece mais detalhes sobre os cargos dos funcionários que foram suspensos.

De acordo com a imprensa turca, o Conselho de Ensino Superior turco exigiu que 1.577 reitores de universidades ao redor do país renunciassem aos cargos nesta terça-feira. Segundo a emissora estatal TRT, trata-se de todos os reitores do país. Do total, 1.176 seriam de universidades públicas e 401 de instituições privadas, noticiou a Anadolu.

Além disso, o Ministério da Educação revogou a licença de 21 mil professores que trabalham em instituições particulares, informou um funcionário da pasta à agência de notícias Reuters. Segundo ele, há "denúncias de que essas pessoas estariam ligadas a atividades terroristas".

Mais demissões

Seguindo a onda de afastamentos, mais de 250 funcionários do escritório do primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, foram demitidos nesta terça-feira, segundo a Anadolu. Já no Serviço de Inteligência da Turquia (MIT), 100 foram suspensos de suas funções.

Também nesta terça-feira, a autoridade de rádio e televisão da Turquia cancelou as licenças de "todas as emissoras de rádio e televisão que tenham dado respaldo aos conspiradores golpistas". A medida afeta 24 veículos de imprensa, que, segundo o governo, estão vinculados a Gülen.

As suspensões desta terça-feira se somam a outras drásticas medidas tomadas pelo governo turco desde o golpe fracassado na semana passada, que deixou ao menos 264 mortos e mais de 1.500 feridos.

De acordo com dados oficiais e relatos da mídia, no total, 29.464 pessoas já foram suspensas de seus cargos desde a última sexta-feira, entre funcionários do serviço público, da polícia e das forças de segurança turcas. Além disso, 6.319 soldados estão sob custódia, e 950 civis foram presos.

EK/afp/dpa/efe/lusa/rtr

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