As controversas propostas de Donald Trump para a economia

Jeffrey Michels (fc)

Planos do republicano se mostram vagos e confusos, incluindo a deportação de milhares de imigrantes ilegais. Resta saber se, como candidato oficial, ele vai rever as posições ou manter a fórmula bem-sucedida até agora.

Dois dias depois de ser nomeado oficialmente candidato à Casa Branca, Donald Trump sobe ao palco nesta quinta-feira (21/07) para um aguardado discurso na convenção nacional do Partido Republicano. A partir de agora, economistas, empresários e políticos estarão mais do que nunca de olho nas propostas econômicas do concorrente de Hillary Clinton.

A agência de classificação de risco Moody's calcula que, até agora, as propostas de Trump custariam um total de 3,5 milhões de empregos caso fossem implementadas. De acordo com a instituição, as repercussões das medidas desencadeariam uma "longa recessão" no país.

Normalmente, o Congresso assegura que as propostas de campanha raramente se transformem em legislação. Mas, para algumas questões de política econômica, incluindo acordos de livre-comércio - uma grande questão para apoiadores e opositores de Trump -, o presidente dos EUA dispõe de uma considerável autonomia.

E com o tema economia emergindo de forma acentuada na mente dos eleitores americanos, as esperanças de Trump de chegar à presidência vão se apoiar, em grande parte, em como ele vai tratar questões econômicas. Eis algumas de suas propostas:

Comércio internacional

Trump vem apelando por mais protecionismo. O magnata criticou o Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta), afirmando que este "destrói" empregos americanos, bem como o Acordo de Parceria Transpacífico (TPP), que, para ele, é um "negócio terrível" para o país. O candidato já afirmou que pretende revogar os dois tratados.

Da mesma forma, é de se esperar que ele tente barrar as negociações do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos (TTIP), entre EUA e União Europeia.

Em vez de derrubar barreiras comerciais, Trump tem grandes pretensões de aumentá-las. E ele dedica particular atenção à China, pedindo tarifas protecionistas contra os produtos do país.

Empresas alemãs também estão preocupadas. Os EUA são os maiores compradores de produtos fabricados na Alemanha, tendo importado 125 bilhões de dólares em produtos do país europeu em 2015. Muitas vozes da indústria alemã têm receio de que a vitória de Trump nas eleições de novembro possa provocar, após o Brexit, o segundo maior choque econômico do ano no país.

Larry Summers, ex-secretário do Tesouro do presidente Bill Clinton e ex-diretor do Conselho Econômico Nacional no governo Barack Obama, adverte: "Se Trump fizer a metade do que prometeu, ele certamente irá desencadear a pior guerra comercial desde a Grande Depressão."

Dívida e impostos

Normalmente as posições sobre impostos são uma das diferenças determinantes entre os candidatos à presidência dos EUA. Trump ainda não articulou uma política clara em relação a esse assunto.

Inicialmente, ele anunciou a intenção de cortar impostos para todos os americanos numa proposta divulgada em setembro passado, que beneficiaria a parcela mais rica da população. Depois, Trump recuou e expressou estar disposto a aumentar os impostos para os ricos. A atitude representa uma ruptura de décadas na dogmática oposição republicana a qualquer aumento tributário. No entanto, Trump manteve a intenção de baixar impostos para a classe média e empresas.

Ele também indicou apoiar o aumento do salário mínimo, um tema quente em meio aos pedidos crescentes, especialmente da esquerda, para mais que dobrar o valor mínimo em todo o país - de 7,25 dólares para 15 dólares por hora. No entanto, Trump acrescentou que prefere "deixar que os estados decidam" sobre o assunto, restando ao governo federal apenas liderar os esforços.

O magnata também divagou sobre a renegociação com os credores para reestruturar a grande carga de endividamento do país se a economia piorar, uma possibilidade que iria afetar a solidez financeira do governo americano. Ele voltou atrás sobre a ideia após encontrar considerável resistência, em grande parte, da rival Hillary.

Imigração

Mais preocupantes em muitos aspectos são os planos de Trump de construir um muro ao longo da fronteira entre EUA e México e deportar os mais de 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem em território americano. Tais medidas, em particular a deportação, teriam consequências dramáticas e de grande repercussão para a economia, sem falar no custo social.

Ao fazer isso, Trump privaria os EUA de uma vasta legião de contribuintes, consumidores e trabalhadores. Até sete milhões de imigrantes sem documentos fazem parte da força de trabalho do país. Eles preenchem vagas que o resto da população não gostaria de ocupar e contribuem para os cofres do governo pagando tributos e taxas sobre propriedade, bem como, em alguns casos, imposto de renda.

Muitos economistas esperam uma contração na economia americana se as propostas de Trump referentes à imigração saírem do papel.

Energia

Em suas propostas, Trump tem procurado promover fontes tradicionais de energia, não renováveis. Ele se cercou de céticos em relação às mudanças climáticas e supostamente está cogitando nomear o magnata do petróleo de Oklahoma Harold Hamm como seu secretário de energia. Hamm acumulou considerável riqueza ao longo da última década utilizando o controverso método de fraturamento hidráulico (também conhecido como fracking) para extrair petróleo.

Dada a resistência geral às ideias do magnata, é uma questão em aberto se, como candidato oficial, ele vai continuar percorrendo o caminho sinuoso que adotou durante as primárias do Partido Republicano. Candidatos tendem a mudar suas mensagens mais para o centro ao entrarem na disputa real - e, mais uma vez, quando chegam à Casa Branca.

No entanto, a ascensão política de Trump foi, sem dúvida, um resultado de seu apelo populista, e as elites econômicas não podem simplesmente esperar que ele se volte contra a mensagem que se revelou tão bem-sucedida até agora.

A mera possibilidade de Trump ser eleito presidente e colocar em prática as propostas apresentadas até o momento deve apenas aumentar a incerteza que paira sobre as economias dos EUA e do mundo.

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