Autor de ataque em Nice tinha cúmplices, aponta investigação

Segundo procurador, tunisiano que avançou com caminhão contra multidão na cidade no sul da França planejou o atentado durante meses. Cinco pessoas estão detidas por suspeita de ligação com o agressor.

O autor do recente atentado terrorista que matou ao menos 84 pessoas em Nice, no sul da França, planejou o massacre durante meses e contou com a cooperação de ao menos cinco cúmplices, informou nesta quinta-feira (21/07) o procurador-geral da República da França, François Molins.

De acordo com o procurador, houve "avanços notáveis" na investigação nas últimas horas, que apontam para um atentado melhor preparado e com mais participantes do que as autoridades acreditavam de início.

No último dia 14 de julho, o tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, de 31 anos, avançou com um caminhão contra uma multidão que assistia à queima de fogos do Dia da Bastilha numa avenida à beira-mar em Nice, até ser morto pela polícia.

Segundo Molins, cinco suspeitos estão detidos sob acusações preliminares de terrorismo pelo suposto papel que desempenharam no atentado. Um inquérito foi aberto para analisar uma série de suspeitas, incluindo cumplicidade para assassinato e processamento de armas ligadas a um ato terrorista.

Os suspeitos são quatro homens - dois franco-tunisianos, um tunisiano e um albanês - e uma mulher, com dupla nacionalidade, francesa e albanesa, informou Molins. Um deles filmou a cena do crime no dia seguinte ao massacre, disse o procurador.

Dados telefônicos

Bouhlel vivia em Nice há vários anos. Pessoas próximas a ele afirmaram que ele não demonstrara sinais de radicalização até muito recentemente. No entanto, o procurador-geral afirmou que informações do telefone de Bouhlel mostram buscas e fotos que sugerem que ele pode ter começado a preparar um ataque já no ano passado.

As informações do telefone também revelam que ele trocou uma série de mensagens e telefonemas durante o último ano como vários dos cúmplices sob investigação. Um dos homens enviou uma mensagem ao agressor alguns dias depois dos ataques ao jornal satírico Charlie Hebdo e a um mercado judaico em Paris, em janeiro do ano passado. "Estou feliz que eles trouxeram soldados de Alá para terminar o trabalho", diz o texto.

O "Estado Islâmico" (EI) reivindicou o atentado em Nice, mas autoridades afirmam não ter encontrado sinais de que o grupo extremista tenha coordenado o ataque.

Após um jornal acusar as autoridades francesas de falta de transparência em relação ao massacre em Nice, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, reconheceu que apenas forças policiais locais, e não a polícia nacional, estavam vigiando a entrada da avenida Promenade des Anglais no momento do ataque. O ministro abriu uma investigação policial interna sobre o caso, cujos resultados devem ser revelados nos próximos dias.

LPF/efe/ap/afp/rtr

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