Holandeses e letãs são as pessoas mais altas

Birgitte Osterath (ca)

Estudo analisa dados antropométricos de 18,6 milhões de pessoas de 200 países. Brasileiros e brasileiras ocupam, respectivamente, 68° e 71° lugares. Europeus estão nas dez primeiras posições.

De acordo com estudo publicado nesta terça-feira (26/07), os homens da Holanda e as mulheres da Letônia são as pessoas mais altas do mundo.

Esses dados resultam de uma colaboração internacional de quase 800 cientistas, sob a direção do Imperial College de Londres (ICL). Como parte de um estudo de saúde em grande escala, eles registraram as medidas corporais de 18,6 milhões de pessoas - e fizeram algumas descobertas surpreendentes.

Em média, um holandês de 18 anos mede 182,5 centímetros, superando assim todas as outras nações. Talvez ainda mais surpreendente seja que, entre as mulheres, a primeira posição pertença às letãs: com uma média de 170 centímetros, elas ultrapassam até mesmo as holandesas, que ocupam a segunda posição.

Com uma média de 173,6 centímetros de altura para um homem de 18 anos e 160,9 centímetros, para uma mulher da mesma idade, o Brasil ocupa o 68° (homens) e o 71° (mulheres) lugares nas duas listas de 200 países. Com 179,9 centímetros, os homens alemães estão no 11° lugar, enquanto as mulheres, com 165,9 centímetros, no 14°.

Europeus ultrapassaram americanos

Na lista das dez maiores médias de altura dos habitantes do planeta encontram-se somente países europeus - tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Além dos holandeses e letões, as osições iniciais são ocupadas por Bélgica, Estônia, Dinamarca, República Tcheca e Sérvia.

Com 160 centímetros, os homens com menor média de estatura vivem no Timor Leste; com uma média de 149 centímetros de altura, as mulheres mais baixas estão na Guatemala.

Geralmente, as pessoas no Sudeste Asiático, África, América Central e América do Sul são menores do que os habitantes da Europa, América do Norte e Austrália. Assim, a suposição de que, em áreas quentes perto do Equador, as pessoas são menores do que em regiões frias do Norte - ou no sul do Hemisfério Sul - não é inteiramente errada. No entanto, esse princípio está mudando.

A humanidade está crescendo - com exceções

O estudo também avaliou a evolução antropométrica das pessoas de 18 anos (idade em que uma pessoa geralmente para de crescer) num período de cem anos - de 1914 a 2014. Há pouco mais de um século, os Estados Unidos ainda se encontravam em 3° lugar (para homens) e em 4° lugar (mulheres). Atualmente os americanos caíram para a 37ª posição, enquanto as americanas deslizaram para a 42ª.

No mesmo período, os brasileiros, que ocupavam o 88° lugar em 1914, estão em média 10,4 centímetros mais altos. As brasileiras, que estavam na 133ª posição, cresceram em média 10,7 centímetros, segundo dados de 2014.

Assim como no Brasil, em muitos países do mundo, as pessoas estão hoje, em média, vários centímetros mais altas do que há um século. Um surto particularmente grande de crescimento foi constatado no Irã: um iraniano de 18 anos é 16,5 centímetros mais alto que seu conterrâneo de 1914. Mulheres sul-coreanas estão hoje, em média, até mesmo 20,2 centímetros mais altas.

Em alguns anos, também o espanhol e o italiano médio terão alturas maiores do que as atuais, se a tendência observada pelos pesquisadores continuar. Por outro lado, finlandeses, japoneses e americanos atingiram, quanto ao seu crescimento, um patamar e pararam de crescer. É possível que, dentro de alguns séculos, escandinavos e pessoas de regiões mais ao Sul sejam da mesma altura.

Ao longo de cem anos, a diferença de tamanho entre homens e mulheres permaneceu - com 12 centímetros - quase constante.

Pessoas bem nutridas crescem mais

Para os pesquisadores, o desenvolvimento na África é preocupante: em muitos países da África Subsaariana, nos últimos 40 anos, a altura média das pessoas diminuiu até cinco centímetros, como em Serra Leoa, Uganda e Ruanda.

O tamanho do corpo é influenciado apenas em parte pela hereditariedade. A altura de uma pessoa depende principalmente se ela foi bem alimentada na infância - e do estado de saúde e nutrição de sua mãe durante a gravidez.

"Nosso estudo dá uma ideia de quão saudáveis as nações foram ao longo do último século", afirmou Majid Ezzati, coordenador do projeto no Imperial College de Londres. "Ele mostra que precisamos melhorar urgentemente as condições ambientais e a alimentação de crianças e adolescentes em todo o mundo - para garantir que toda criança receba o melhor início de vida possível."

Segundo Elio Riboli, do ICL, muitos estudos demonstram em todo o mundo que, por exemplo, crianças com uma dieta rica em proteínas e com muito leite serão, futuramente, mais altas do que aquelas que ingeriram pouco leite.

Crescer vale a pena

De acordo com as estatísticas, pessoas mais altas sofrem menos de doenças cardiovasculares - portanto vivem mais tempo, em média. Além disso, gestantes de maior estatura têm menos problemas na gravidez - há menos casos de abortos e natimortos.

No entanto, pessoas altas sofrem mais frequentemente de câncer colorretal, e as mulheres, de câncer de mama após a menopausa. Ainda não se conhece os motivos que levam a isso.

Cientistas acreditam que a responsabilidade esteja em fatores de crescimento no metabolismo. Eles mantêm o sistema cardiovascular em boa forma, mas também promovem a formação de certos tumores. Mas "tudo isso é, até agora, apenas uma hipótese", afirmou Riboli.

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